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Conceção, Gravidez e Parto

Desde a gravidez até ao parto, vão ocorrendo várias mudanças físicas e emocionais na mulher. Por sua vez, o feto também vai crescer, desenvolver-se e ganhar forma.Existem uma série de bons hábitos e cuidados de saúde que a mulher deverá manter quando está grávida, nomeadamente ao nível da alimentação e do consumo de certas substâncias, devido aos riscos que implicam para o embrião/feto.É importante conhecer os sinais do parto e saber reagir face a sinais de alerta.Quanto mais seguro e informado estiverem os progenitores quanto ao seu papel de pais, maior a probabilidade de estabelecerem uma boa relação precoce com os seus filhos.

Ciclo menstrual

Ciclo Menstrual:
É o intervalo de tempo que decorre entre o 1º dia de uma menstruação e o dia anterior à menstruação seguinte. Um ciclo menstrual, começa a contar desde o 1º dia da menstruação.

A duração de um ciclo menstrual varia de mulher para mulher e, por vezes, de mês para mês. Um ciclo é considerado regular se, num período de seis meses, tiver a duração média de 28 dias com variações entre 21 e 35 dias. Há mulheres que têm Ciclos Menstruais considerados irregulares se a duração dos ciclos for muito variável (menos de 21 dias ou mais de 35 dias de intervalo entre cada menstruação).


Nas adolescentes, os primeiros ciclos menstruais podem ser muito irregulares o que, habitualmente, é normal.


Mais tarde, quando a mulher deixa de menstruar, dizemos que entrou na menopausa e isso significa que os ovários deixaram de produzir óvulos. Para a maioria das mulheres, a menopausa ocorre entre os 45 e os 55 anos, podendo acontecer de forma súbita ou gradual.

Período Fértil:
É o intervalo de tempo do ciclo menstrual em que o organismo da mulher reúne uma série de condições favoráveis à ocorrência de uma gravidez. 


Ovulação:
O ovário contém uma espécie de cápsulas (chamadas folículos) do tamanho da cabeça de um alfinete. Pelo menos um destes folículos vai crescer e ficar do tamanho de uma ervilha. Este processo demora cerca de 14 dias e chama-se fase folicular do ciclo menstrual.

Por volta do 14º dia do ciclo, o pequeno folículo rompe-se e sai de dentro dele um óvulo (célula reprodutora feminina).

A este fenómeno dá-se o nome de ovulação.

A menstruação:
Logo após a ovulação, o interior do útero (chamado endométrio) torna-se mais espesso, com muitos vasos sanguíneos. Esta transformação tem como objetivo preparar o útero para receber o ovo (óvulo fertilizado). Esta é a fase da “preparação do ninho” para uma gravidez, caso esta ocorra.

Se não houver gravidez, soltam-se os vasos sanguíneos do endométrio que saem pela vagina da mulher, provocando a menstruação. Este momento marca o início de um novo ciclo menstrual.

Se ocorrer uma gravidez, não há menstruação.

Fecundação

O óvulo inicia uma viagem pelas trompas de Falópio, aí ficando entre 24 a 48 horas. Se nada acontecer, esse óvulo acaba por degenerar, ou seja, deixa de poder ser fecundado, e acaba por ser expelido do aparelho reprodutor feminino.

No entanto, se ocorrer uma relação sexual e um espermatozoide (a célula reprodutora masculina) encontrar e se unir ao óvulo, ocorre a fertilização ou fecundação. A partir desse momento começa a formação do ovo.

Os espermatozoides podem sobreviver no interior do útero, cerca de 72 horas ou mais.

Gravidez

A gravidez tem início a partir do momento em que ocorre a nidação, ou seja, em que o ovo se fixa às paredes do endométrio. Este fenómeno ocorre entre os 5 e os 12 dias.

No entanto, técnicos de saúde calculam o início da gravidez a partir do 1º dia da última menstruação, não a partir da data da conceção.

Normalmente, uma gravidez pode durar entre 37 e 42 semanas, mas a sua duração média é de 40 semanas.

Quando a grávida não sabe a data de início da última menstruação, a ecografia poderá ajudar a determinar quando é provável que ocorra o nascimento.

Gravidez não é doença, mas…

… na verdade, durante esse período as defesas do corpo da mulher estão mais fragilizadas. Isso pode fazer com que a grávida tenha uma maior predisposição para adoecer e para se cansar mais facilmente.

É, por isso, importante que a grávida tenha alguns cuidados consigo própria e consequentemente com o embrião/feto em desenvolvimento.

Cuidados de saúde durante a gravidez:

Se a mulher fumava, bebia bebidas alcoólicas ou consumia drogas, é muito importante que abandone esses hábitos.

O consumo do tabaco pela mulher antes, durante e depois da gravidez pode prejudicar a saúde do bebé, levando a que este receba menos oxigénio e nutrientes. Se o parceiro da mulher fuma não o deverá fazer na presença da sua companheira.

O consumo de álcool pode levar a graves problemas físicos e intelectuais no bebé ou mesmo provocar o aborto. Por esse motivo, as mulheres grávidas não devem beber álcool. No entanto, com a concordância do médico assistente, o vinho tinto poderá ser consumido em pequenas quantidades, ocasionalmente.

O consumo de drogas, como cocaína, heroína ou anfetaminas, durante a gravidez, pode provocar baixo peso à nascença, risco de aborto, nascimento prematuro ou parto de um nado-morto (bebé morto) e, também, a morte súbita do bebé. Além disso, o bebé poderá nascer com síndroma de privação (“ressaca”).

Durante a gravidez nunca se deve tomar nenhum medicamento, a não ser que o médico o prescreva. Muitos medicamentos podem provocar problemas no desenvolvimento ou mesmo malformações do embrião.

Alterações emocionais durante a gravidez:

Além das mudanças físicas associadas à gravidez, é natural que ocorram alterações emocionais. Por exemplo, a mulher grávida pode ficar mais triste ou ansiosa do que é habitual. Estas reações muitas vezes devem-se a alterações hormonais provocadas pela gravidez. Porém, podem também dever-se às preocupações da mulher com a gravidez, parto ou com o que irá acontecer depois da criança nascer.

Ao longo da gravidez costumam surgir alterações emocionais e psicológicas diferentes:

1º Trimestre
A mulher e o homem parecem não estar ainda muito conscientes do que está a acontecer. Pode ser um período de grande entusiasmo e alegria, mas também de preocupações.

2º Trimestre
Na maior parte dos casos este é um período de maior calma. A barriga começa a notar-se, a mulher sente menos sono e começa a ganhar peso. Já sente o bebé e isso pode deixá-la mais tranquila e animada.

3º Trimestre
No terceiro trimestre a mulher pode voltar a sentir-se agitada e preocupada, principalmente com o parto, com a saúde do bebé e também com o que irá acontecer depois do parto.

Motivos para procurar apoio médico durante a gravidez:

  • Perda de sangue ou de outro líquido através da vagina;
  • Corrimento vaginal com comichão, ardor ou cheiro não habitual;
  • Dores abdominais;
  • Arrepios ou febre;
  • Dor ou ardor ao urinar;
  • Vómitos persistentes;
  • Dores de cabeça fortes ou contínuas;
  • Perturbações da visão;
  • Diminuição dos movimentos fetais (deverão ser pelo menos 10 por dia).

Ver Procedimentos de rotina numa consulta de seguimento da gravidez.

Grávida

Alimentação da mulher grávida:

É importante que a mulher grávida tenha uma alimentação variada e equilibrada. Deve alimentar-se várias vezes ao dia e pouco de cada vez.
 É através da mãe que o/a filho/a recebe aquilo de que necessita para crescer e se desenvolver. Porém, isso não significa que a grávida precisa de comer por dois. Deve comer em qualidade e não em quantidade.

Todos os dias deve incluir na sua alimentação alimentos dos vários grupos alimentares:

  • Fonte de proteínas: Ovos, carne e peixe;
  • Fonte de cálcio: Leite, iogurte, queijo e manteiga;
  • Fonte de proteínas vegetais: Ervilhas, feijão e grão;
  • Vitaminas e Sais Minerais: Frutas e vegetais;
  • E, claro, água! É a base da vida e da constituição dos alimentos.

Assim:

  • Alimentos que a mulher pode comer sem medos durante toda a gravidez: Leite e laticínios, legumes frescos, peixe, ovos, azeite, frutos frescos.
  • Deve evitar: Carne mal passada e queijos de leite não pasteurizado.

Atividade física da mulher grávida:

No geral, o movimento e a prática de uma atividade desportiva fazem bem à saúde da grávida. Por exemplo, caminhar ou fazer exercício dentro de água. É importante que a mulher converse com o seu medico assistente sobre qual a atividade física mais adequada ao seu caso.

Preocupações comuns de futuras mães e pais

Preocupações comuns das futuras mães:

  • Se vai ser capaz de cuidar do bebé;
  • Se se irá alterar a relação com o companheiro;
  • Como será o pós-parto;
  • Como irá conjugar o seu trabalho com a vida familiar;
  • Como e quando poderá voltar a ter uma vida sexual normal;
  • Receia que outros elementos da família possam interferir de forma excessiva com a sua relação de casal e com o cuidar do bebé;
  • Tem dúvidas sobre se o seu companheiro irá colaborar nas tarefas domésticas e no cuidar da criança;
  • Preocupa-se com a saúde do seu bebé.

Os homens que vão ser pais também se preocupam.

Preocupações comuns dos futuros pais:

  • Acerca das suas competências para cuidar do bebé;
  • Sobre se serão capazes de ajudar a sua companheira na recuperação do parto;
  • Com a possibilidade de serem postos em “segundo lugar” com a vinda do bebé;
  • Sobre se vão ser capazes de sustentar financeiramente a sua família;
  • Como poderão proporcionar a educação e bem-estar necessários ao bebé:
  • Com a saúde do seu bebé.

Gravidez e a sexualidade

Algumas pessoas pensam que durante a gravidez não se deve ter relações sexuais, por exemplo, porque têm medo que isso possa prejudicar o feto. Na verdade, não existem motivos pelo qual uma mulher grávida não deva ter atividade sexual, à exceção do enunciados a seguir. A intimidade do casal é tão importante nessa fase como noutra qualquer e não deve ser esquecida.

No entanto, existem algumas situações em que o casal não deve ter relações sexuais durante a gravidez:

  • Já antes ocorreu mais do que um aborto nos primeiros meses de gravidez;
  • Durante a gravidez verificaram-se perdas de sangue;
  • A mulher já tiver tido mais do que um parto prematuro;
  • A grávida sofrer de alguma infeção na vagina;
  • O colo do útero se abrir antes do tempo ou existir o risco de se iniciar o trabalho de parto antes do tempo;
  • A grávida sofrer de dores na pélvis;
  • Se tiverem verificado perdas de líquido amniótico.

Parto

Quais os sinais de que o bebé vai nascer?

1º Sinal Expulsão do rolhão mucoso - Eliminação, pela vagina, de uma substância gelatinosa de cor rosada ou acastanhada. A sua expulsão pode ocorrer dias ou horas antes do parto e significa que o nascimento poderá estar para breve.



2º Sinal Rotura da bolsa de águas - É a saída de líquido amniótico pela vagina, devida à rotura das membranas que envolvem o bebé. Pode sair lentamente ou de repente, em grande quantidade. Normalmente este líquido é claro e transparente. Quando isto acontecer a mulher deve dirigir-se ao hospital da sua área.



3º Sinal Contrações uterinas - No início do trabalho de parto as contrações são irregulares (ou seja, os intervalos não são certos) e pouco frequentes.

Saber mais sobre Parto

Trabalho de parto e respiração – Dilatação:

O colo do útero, por onde o bebé irá passar, começa a encurtar e a dilatar até chegar aos 10 cm. As contrações são cada vez mais regulares e próximas. É o período mais demorado do trabalho de parto, podendo demorar de 12 a 16 horas num primeiro filho.

Se a mulher se virar para o lado esquerdo quando deitada facilita a oxigenação do feto. No início e durante a contração, deverá inspirar profundamente pelo nariz como se estivesse a cheirar uma flor e deitar o ar fora pela boca como para apagar uma vela.

Quando a contração terminar deverá inspirar e expirar profundamente. No intervalo das contrações deve respirar normalmente, relaxando o mais possível.

Trabalho de parto e respiração - Expulsão:

Quando a dilatação está completa, começa a expulsão. Pode demorar 20 a 40 minutos num primeiro filho. No parto normal, o feto desce ao longo da bacia e acaba por sair para o exterior através da vagina.

Em cada contração a mulher deverá inspirar profundamente e não deixar sair o ar enquanto faz força. Deverá expirar de seguida.

Dequitadura:

Depois do nascimento do bebé, a placenta e as membranas que envolveram o feto saem por si próprias. A equipa médica poderá massajar a barriga da mulher para ajudar a placenta a desprender-se do útero. Após o parto a posição mais adequada para a recuperação é de barriga para cima. Se ocorrer grande perda de sangue, é necessário chamar um/a profissional de saúde.

Pós-parto

Cuidados no pós-parto:

Os cuidados de higiene no pós-parto são importantes para o bem-estar da mulher e para acelerar a cicatrização do períneo. É normal que a mulher continue a ter perdas de sangue durante dias ou semanas (lóquios).

É importante tomar banho todos os dias, manter a zona genital limpa e seca e mudar com frequência os pensos higiénicos (no mínimo de 4 em 4 horas).

Para recuperar a forma física, é necessária uma alimentação equilibrada. Assim que sinta disposição, a mulher deve fazer exercícios adequados à sua condição que a ajudem a recuperar a forma.

O exame pós-natal realiza-se 4-6 semanas depois do parto. Esse será também o momento para escolher a contraceção que irá iniciar, com aconselhamento médico.

A criança até aos 3 anos

Apresentam-se as características, as necessidades e o desenvolvimento dos bebés até aos 3 anos de idade. A relação que os pais estabelecem com os seus filhos desde cedo é muito importante, assim como as regras e limites.

O recém-nascido

O bebé cresce e vai desenvolver-se a um ritmo que é só dele. Aos poucos, a mãe e o pai vão aprendendo a conhecer o seu filho, ao mesmo tempo que o bebé os vai conhecendo também. 


O que deve ter em casa antes do bebé nascer?

Algumas características:

  • Dorme cerca de 20 horas por dia.
  • Ainda só vê a cerca de 25 cm de distância.
  • As mãos estão a maior parte do tempo fechadas e agarram-se com força aos dedos do adulto.
  • A única forma de se expressar é pelo choro.
  • Tem um espaço no alto da cabeça, chamado de moleirinha ou fontanela, aberto e apenas coberto com a pele do bebé. A moleirinha deve fechar entre os 12 e os 18 meses de vida do bebé.
  • Tem geralmente as mãos frias, mesmo que não tenha frio. Percebe-se melhor se precisa de agasalho, pela temperatura das pernas, dos braços e do pescoço.

O bem-estar do recém-nascido

Um ambiente calmo e limpo:

  • Deve dormir num espaço com uma temperatura entre os 20º
e os 22º C.
  • Se necessário deve vestir-se mais roupa no bebé isto porque também não é adequado colocar muita roupa de cama por cima do bebé por causa do risco de sufocar.
  • Ter junto de si objetos fofos, cores suaves ou música de embalar.
  • Não estar demasiado agasalhado nem muito à fresca. Mesmo no Verão o bebé deve ter sempre uma camisola interior.
  • É importante sentir-se aconchegado.

As primeiras roupas:

  • Devem ser 100% algodão de modo a evitar alergias.

  • A pele do recém-nascido é extremamente fina e delicada e o bebé sente-se mais confortável com roupa macia.

Cuidados a ter com o bebé:

  • Nunca se deve tapar a cara do bebé, nem com a fralda de pano;
  • Quando está no “ovo” deve estar sempre preso. Nem que a viagem seja até à esquina;
  • Deve dormir no seu berço ou caminha de grades;
  • Não se chupa a chucha e volta a dar ao bebé;
  • Não se devem deixar restos de leite no biberão, pois estes são propícios ao desenvolvimento de bactérias;
  • O bebé deve estar num sítio seguro, onde dificilmente possa escapar da vista do pai ou da mãe. De um momento para outro o bebé adquire a capacidade de se virar ou mudar de posição podendo cair facilmente.

Para mudar a fralda, deve ter tudo o que necessita à mão:

  • Resguardo para colocar por debaixo do bebé;
  • Fraldas;
  • Toalhitas ou compressas;
  • Creme para o rabinho, se necessário.

O que fazer para um sono tranquilo?

  • Deitar o bebé para o lado direito ou de barriga para cima (peça a opinião do seu pediatra quanto a este assunto pois as opiniões divergem);
  • Pode colocar-se uma fralda de pano debaixo da cabeça, caso o bebé bolse;
  • O colchão deve estar ligeiramente elevado na zona da cabeça;
  • Não utilizar quartos muito aquecidos, é preferível vestir melhor o bebé.

O que fazer se o bebé tiver cólicas?

  • Podem adquirir-se na farmácia alguns produtos que se juntam ao leite;
  • Podem colocar-se na boca do bebé umas gotinhas próprias para os gases;
  • Pode aquecer-se uma toalha molhada e dobrá-la em forma de quadrado, introduzi-la num saco de plástico bem fechado e colocá-la sobre a barriga do bebé quando estiver morna;
  • Pode massajar-se a barriga do bebé ao de leve, desenhando círculos, no sentido dos ponteiros do relógio;
  • Pode colocar-se um saquinho de sementes morno no antebraço e colocar o bebé de barriga para baixo em contacto com esse saquinho.

Os cuidados de higiene do recém-nascido

A higiene do bebé deve ser feita de cima para baixo, ou seja, da cabeça para os pés.

Olhos:

  • Limpar de fora para dentro com compressas e soro fisiológico;
  • Utilizar compressas diferentes para cada olho.

Orelhas:

  • Limpar só o exterior do ouvido com compressas e soro fisiológico;
  • A cera acaba por sair por si em pequenas bolinhas.

Banho de imersão:

  • O braço esquerdo do adulto segura a axila esquerda do bebé, servindo de apoio às suas costas;
  • A mão direita lava o bebé (ou vice-versa);
  • Para lavar as costas, vira-se o bebé segurando com a mão direita na axila direita girando-o sobre o braço esquerdo do adulto até ficar de costas para cima. A mão esquerda do adulto segura agora na axila direita para segurança do bebé (ou vice-versa).

Umbigo:

  • O umbigo cai mais ou menos uma semana após o parto;
  • Pode ser tratado com álcool de 70º e compressas esterilizadas;
  • As compressas podem ficar no local, não precisam de levar outra proteção por cima;
  • É importante vigiar para ver se não desenvolve infeções;
  • Se necessário, colocam-se umas gotas de álcool (sempre a 70º na fase final e depois de cair, com a ajuda de um cotonete.

Cortar as unhas do bebé:

  • O corte das unhas das mãos e dos pés faz-se a direito, não se devem cortar os cantos;
  • Deve utilizar-se uma tesoura apropriada;
  • No final pode passar-se uma lima fininha de cima para baixo das unhas;

Órgãos genitais:

A higiene dos genitais é uma parte fundamental na promoção da saúde da criança.

Nas raparigas, especial cuidado com a vulva, limpando-a cuidadosamente. Para evitar alergias podem utilizar-se compressas com soro fisiológico.

Nos rapazes, deve-se aproveitar o pós banho para puxar lentamente o prepúcio (pele) para trás sem forçar e, de seguida, voltar a largá-lo. A opinião médica divide-se em relação a quando começar, pois alguns referem não ser prudente puxar até aos três anos (enquanto utilizar fraldas) e simplesmente garantir uma boa higiene. Ambas as opiniões defendem que se deve abandoar o puxam brusco.

Dos 0 aos 3 meses

  • O bebé já é mais sociável, não acorda apenas para comer, mas também, para conhecer melhor o que está à sua volta.
  • Brinca muito com as suas próprias mãos, porque entretanto as descobriu.

  • Começa a sorrir com a intenção de provocar uma reação e também como resposta a algo de que gostou.
  • Gosta de rocas.
  • Gosta de canções.
  • Aprecia brinquedos com texturas e sons diferentes, cores vivas.
  • Pode ter cólicas com alguma frequência.

Como estimular a linguagem da criança?

Dos 3 aos 6 meses



Entre os 3 e os 6 meses o bebé evolui bastante.

As rotinas diárias do bebé são importantes para que ele se possa ir percebendo do que se passa à sua volta.

Marcos importantes dos 3 aos 6 meses:

  • Emite muitos sons e gosta de palrar;
  • Aos 3 meses o bebé já sorri com intenção;
  • Olha com atenção à sua volta e tenta alcançar com o corpo o objeto para o qual está a olhar;
  • Descobre a forma, o tamanho, o peso e a textura;
  • Normalmente, já dorme a noite toda;
  • É estimulado através da relação com os pais e outras pessoas;
  • Gosta de brinquedos com textura e sons e de brincar no banho;
  • Aprecia os sons e jogos de surpresa, como o “cucu!”;
  • Começa a ser capaz de comer alimentos semissólidos e sólidos;
  • Por volta dos 6 meses já se deve sentar e também já rebola.

Cuidados a ter dos 3 aos 6 meses:

  • Nunca deixar o bebé sozinho no banho.

  • Nunca deixar o bebé em cima do sofá deitado ou em cima de uma cama alta, ele já rebola e pode cair.

  • Cuidado com os objetos pequenos porque o bebé pode levá-los à boca e engasgar-se.

Dos 6 meses ao 1º ano de idade

  • Nesta fase o bebé começa a gatinhar, podendo mesmo começar a andar ainda nesta idade.
  • Por volta dos 8 meses, o bebé pode chorar quando está perto de pessoas estranhas. É uma fase normal e passageira.
  • Gosta bastante de atividades do tipo “aparece e desaparece” e “onde está?” e as escondidas.
  • Começa a ter um brinquedo preferido, que o acalma quando fica mais agitado.
  • Torna-se um pouco mais independente e quer fazer as coisas sozinho.
  • Já percebe que os objetos que saem da sua frente não desaparecem e, por isso, procura-os.
  • Atira objetos para o chão para adquirir a noção de causa - efeito.
  • Já faz pinça com os dedos, apanha objetos pequenos.
  • Imita os adultos, repete sons e já diz algumas palavras.
  • Experimenta os sons podendo, por vezes, gritar, o que é normal.
  • Gosta muito de brincar e até às refeições arranja motivos de brincadeira.
  • Começa a largar e a ver onde caem os objetos. Não faz isto para irritar os pais, mas sim, porque está a descobrir como funcionam as coisas.

Cuidados a ter dos 6 meses ao 1º ano de idade:

  • Deve descer-se o estrado da cama, pois o bebé pode começar a querer levantar-se agarrado às grades.

  • As tomadas elétricas e cantos dos móveis devem estar protegidos.

  • As bebidas quentes não devem estar ao alcance da criança.

  • O objetos perigosos devem também estar longe do alcance da criança (medicamentos, produtos de limpeza e higiene, vidro, louça, talheres, ferro de engomar).

Recomendações sobre disciplina dos 6 meses ao 1º ano de idade:

  • O bebé não tem “manhas” ou intenção de zangar a mãe ou o pai. Ele/a pode tentar manipular os pais, porque essa é a única forma que conhece para atingir os seus objetivos. É também normal que o bebé queira mexer em tudo. Faz parte da sua descoberta do mundo, uma vez que tudo é novo para ela/e.
  • Não o castigue, tente antes impor-lhe alguns limites.
  • Mostre-lhe por meio de expressões faciais ou dizendo em vários tons de voz que não deve mexer em certas coisas.
  • Fale com um tom de voz firme e diferente do habitual, mostrando que não está a brincar.

Do 1º ao 2º ano de idade



  • Até aos 2 anos a criança já anda e já corre.
  • Quer fazer tudo sozinha e afirmar-se, tendo, por vezes, comportamentos de desafio em relação aos pais e outras pessoas;
  • Faz muitas gracinhas e o adulto consegue entender o seu vocabulário que é agora mais rico;
  • Por vezes, os pais sentem que o/a filho/a se está a afastar deles, mas ele/a está só a ganhar a sua autonomia.

Brinquedos do 1º ano ao 2º ano de idade:

  • Usa-se brinquedos como cubos de empilhar, jogos de encaixe e formas geométricas;
  • Tanto os meninos como as meninas gostam de brincar com objetos usados nas rotinas da casa, como colheres, caixas de plástico, esfregonas, vassouras, tachos, panelas, entre outros;
  • Gosta de brinquedos de puxar e de empurrar;
  • Aprecia livros de imagens;
  • Brinca experimentando as novas habilidades que consegue fazer com o corpo;
  • Transporta os brinquedos de um lado para o outro;
  • Gosta de imitar os adultos, suas expressões e posturas;
  • Usa muito a massa de moldar;
  • Gosta de construir legos e puzzles de tabuleiro;
  • Pode usar lápis grosso para pintar.

Recomendações sobre disciplina do 1º ano ao 2º ano de idade:

  • As crianças até aos 2 anos testam muito os limites: os dos pais e de outros adultos;
  • Os castigos por si só não resolvem tudo e o adulto não deve proibir a criança de se afirmar, mas sim, limitar-lhe alguns comportamentos (principalmente aqueles que põem a criança em perigo);
  • As crianças já correm, pelo que é necessária maior atenção dentro e fora de casa;
  • Só agora se deve introduzir a almofada na cama.

O Bacio



É na fase dos 18 aos 24 meses que se deve educar a criança a utilizar o bacio. Só nesta altura estará preparada para conseguir controlar melhor o seu corpo. A atitude inicial da criança é ignorar o bacio. Será nesta altura que a criança estará preparada para começar a pedir para ir ao bacio.

Estratégias para introduzir o bacio na rotina do bebé:

  1. O bacio deve ficar num local onde o bebé o veja bem (p. ex.: perto do quarto, à entrada da casa de banho);
  2. Não convém dar demasiada importância ao bacio porque isso pode aumentar a sua rejeição pelo bebé;
  3. A brincadeira pode ser uma boa ferramenta para conseguir introduzir o hábito de fazer as necessidades no bacio. Dar um objeto que o bebé goste, como um livrinho ou um boneco que o entretenha pode ajudar nesta fase;
  4. Se o bebé rejeitar o bacio, não deve forçar. Por vezes, o bebé está sentado no bacio muito tempo sem fazer chichi ou cocó e quando lhe colocam a fralda ele faz logo de seguida. Faz isso porque está habituado a fazer na fralda e não no bacio;
  5. Não o sente em frente à televisão pois ele deve perceber que está sentado no bacio para fazer as suas necessidades, não para ver desenhos animados;
  6. É preciso ter muita paciência. Não tenha pressa;
  7. É comum nesta idade a criança escolher um local para fazer as suas necessidades (ex: atrás das cortinas, num canto e pode sentar-se como se estivesse no bacio ou na sanita);
  8. Se tiver dificuldades nesta fase, consulte o seu médico assistente ou pediatra.

Do 2º ao 3º ano de idade



A criança até aos 3 anos está a aprender as regras e normas sociais.
 Centra-se muito no “é meu”, agarra-se às suas coisas e esconde-as. Pode fazer birras porque tem sono, porque está doente ou simplesmente porque está a ser contrariado/a. Ao crescer, a criança tem de aprender que nem tudo pode ser como ele/a quer.


Capacidades da criança dos 2 aos 3 anos de idade

:

  • Aos 3 anos já controla as fezes e a urina e vai sozinha/o à casa-de-banho;
  • Já diz frases completas e tem um vocabulário muito rico;
  • Pode pintar com lápis de cor ou de cera grossos;
  • Brinca com o quadro de escrever;
  • Gosta de ouvir histórias;
  • Aprecia mexer em plasticinas, fazer pinturas com os dedos ou pincel;
  • Gosta de material para colagens;
  • Anda de triciclo;
  • Gosta de brincadeiras de faz de conta e de brincar com outras crianças;
  • Gosta de ouvir música;
  • A partir dos 2 anos a criança já pode ir ao dentista;
  • A partir dos 3 anos é possível que comece a ter terrores noturnos.

Disciplina dos 2 aos 3 anos de idade

:

O bom senso e um entendimento sobre a educação dos filhos é fundamental para o equilíbrio e bem-estar psicológico das crianças. É importante que quem cuida e educa a criança (inclusive avós e outras pessoas), conversem sobre as regras que consideram importantes para a criança de forma a que todos atuem da mesma forma para com ela.

Muitas birras acontecem em locais públicos. Esta pode ser uma fase difícil para os pais, mas é muito importante ser firme com a criança. O sentido de humor e a paciência podem ser a chave para algumas birras.

A excessiva atenção alimenta a birra, pelo que uma estratégia possível pode ser não dar atenção à criança durante o período em que apresenta o comportamento desapropriado. Os adultos devem, no entanto, permanecer atentos para o caso da criança fazer alguma coisa que seja perigosa.

Terrores noturnos

É possível que a criança a partir dos 3 anos tenha noites mais agitadas e que acorde com medo, a gritar ou a chorar. A isto dá-se o nome de terrores noturnos.
 Os terrores noturnos são normais e servem para libertar as tensões do dia-a-dia da criança. Por isso não se deve reprimir e muito menos ralhar com a criança por causa disso. O adulto deve procurar acalmá-la, ficar a seu lado durante algum tempo, explicar que já passou e que os pais estão ali com ela. Ter um objeto ou boneco especial de que gosta e que a acalma pode ajudar a criança nesta fase.

A alimentação da criança

O bebé tem necessidades especiais que vão evoluindo à medida que cresce. A alimentação da criança deverá ser adaptada às suas necessidades e nível de desenvolvimento.

Amamentação

O leite materno é muito importante para o bebé e tem vantagens também para a mulher. Segundo a OMS, o bebé pode ser alimentado exclusivamente com leite materno até aos 6 meses de idade.

Depois do parto, as glândulas mamárias produzem uma substância chamada colostro que contém o elementos essenciais para o bebé. Até ao início da produção do leite materno, a mãe deve alimentar o seu bebé com o colostro.

Para uma amamentação eficaz é importante que haja uma boa pega da mama da mãe. Assim, o bebé ficará bem alimentado e os mamilos da mãe serão protegidos, diminuindo a possibilidade de gretarem ou de ficarem demasiado sensíveis.

Vantagens da amamentação versus vantagens de usar o biberão

Material de suporte à amamentação:

  • Fraldas de pano;
  • Uma garrafa de água para a mãe beber (pode ter muita sede);
  • Almofada de amamentação;
  • Bicos de silicone;
  • Bomba de extração de leite;
  • Saquinho de sementes de aquecer no micro-ondas;
  • Creme para os mamilos;
  • Paracetamol (analgésico para o caso de dores).

Pode agrupar-se a amamentação em dois momentos principais:

1º Momento:

  • Lavar bem as mãos com sabão;
  • Colocar a mulher e o bebé numa posição confortável e que permita uma boa pega;
  • Estimulação do mamilo;
  • Estimulação do bebé;
  • Introduzir bem o mamilo na boca;
  • Cuidado ao retirar (introduzir um dedo na boca do bebé).

2º Momento:

  • Espalhar o resto do leite no mamilo e deixar secar;
  • Pode colocar-se uma marca na alça do soutien para saber qual o lado da próxima mamada;
  • Aplicar o disco e/ou pomada no mamilo;
  • Repetir do outro lado;
  • Pôr o bebé a arrotar;
  • Geralmente, o bebé precisa de mudar a fralda depois de mamar.

Cuidados com a amamentação:

  • Se as mamas ficarem muito duras e com nódulos deve fazer-se uma massagem em movimentos circulares. Pode utilizar um pente de dentes largos e massajar a mama em direção ao mamilo;
  • Se a mulher sentir mal-estar, mamas muito rijas e se tiver febre deverá consultar o médico ou ligar para a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) pois pode estar com uma infeção na glândula mamária (mastite) e precisar de antibiótico.

Esterilização

Até a criança fazer 6 meses deverá esterilizar-se todo o seu material de alimentação, uma vez que o seu sistema imunitário é frágil.

Tempo necessário para a esterilização do material para o bebé (começa a contar quando a água começa a ferver):

  • Tetinas e chupetas: 10 minutos.
  • Biberões: 20 minutos.

Existem vários métodos de Esterilização:

  • Método tradicional: panela a ferver.
  • Método frio: com pastilhas desinfectantes (adequado para viagens).
  • Método elétrico: esterilizador elétrico.
  • Método micro-ondas: reservatório especial que vai ao micro-ondas.

(Cuidado com as chupetas que acumulam água quente por dentro. É necessário retirar a água antes de dar a chupeta ao bebé.)

Etapas da alimentação da criança

Aproximadamente aos 4 meses o bebé começa uma alimentação diferente, porque necessita de mais energia e já está preparado para digerir alimentos mais complexos. Porém, não é preciso ter pressa em começar, pois cada criança tem o seu ritmo próprio e tem de aprender a mastigar os alimentos. O médico ou pediatra pode fazer um esquema de alimentação adaptado ao bebé.

Antes de iniciar os novos alimentos, o que deve ter em conta:

  • O seu bebé apenas está habituado a mamar e a engolir líquidos;
  • No início, é normal que cuspa o alimento; é um reflexo normal que vai passar à medida que o bebé aprende a comer;
  • A diversificação alimentar começa com a introdução de papas ou de sopas simples;
  • A partir dos 6 meses, embora o bebé se possa ainda atrapalhar um pouco ao engolir alimentos semissólidos, o seu corpo já está preparado para o desafio, só tem que treinar.

Como introduzir os alimentos semissólidos?

  • Escolha uma refeição em que o bebé esteja bem acordado e sem sono;
  • Sente-o no seu colo ou na cadeirinha da papa e ofereça o alimento na ponta de uma colher pequena de plástico;
  • Nas primeiras vezes, o bebé pode não comer nada ou quase nada. É natural que isso aconteça e deve continuar a tentar;
  • Depois das papas e das sopas, podem fazer-se também purés de fruta;
  • A partir dos 7 meses já se pode introduzir na alimentação do bebé as carnes brancas (frango e peru) e só depois as vermelhas (borrego, vaca);
  • Se o bebé não tiver contraindicações ao final do 8º mês já se pode dar peixe branco de forma alternada com a carne;
  • O ovo completo só é apropriado a partir do 1º ano do bebé.

Cuidados a ter com a alimentação do bebé:

  • Não introduzir os alimentos novos com intervalos inferiores a uma semana;
  • Dar sempre os alimentos sólidos à colher;
  • Nunca oferecer mais do que uma papa por dia;
  • Não juntar papa no biberão;
  • Utilizar água fervida até aos 6 meses de idade;
  • Oferecer água no intervalo das refeições;
  • Não adicionar açúcar ou mel aos alimentos;
  • Não dar guloseimas (doces, chocolates, bolos);
  • Não adicionar sal aos alimentos no 1º ano de vida;
  • Não adicionar condimentos;
  • Não dar mioleira nem vísceras.

Prevenção das cáries

Deve evitar-se dar muitos doces à criança (bolachas, chocolate, guloseimas).

As pastilhas elásticas e os rebuçados que se colam aos dentes são os que fazem pior aos dentes.

As pastilhas sem açúcar contêm outras substâncias que não são recomendadas para crianças.

Deve evitar-se dar sumos açucarados à criança, pois não são bons para a sua alimentação.

Não se devem criar hábitos pouco saudáveis, como comer doces entre as refeições ou antes de ir para a cama.

Saúde da Criança

É natural que as crianças adoeçam. Porém, algumas doenças contagiosas merecem uma atenção especial, sendo necessária a visita ao pediatra.A criança tem uma tendência normal para explorar o mundo à sua volta. Nesse processo poderá tocar, mexer e pôr na boca objetos e líquidos que podem colocá-la em sério risco de saúde ou mesmo de vida. É necessário que os adultos que cuidam de crianças estejam conscientes desses riscos e que façam os possíveis por minimizá-los. A prevenção de acidentes na primeira infância e os primeiros socorros são da responsabilidade dos adultos.

Problemas de saúde mais comuns na infância

Nos primeiros anos de vida, o seu bebé poderá ter com maior ou menor frequência iInfeções que se podem geralmente localizar nos ouvidos, garganta, brônquios, estômago ou intestinos e a que se associa:

  • Febre
  • Vómitos
  • Diarreia
  • Cólicas e obstipação
  • Secressões nasais
  • Tosse (Expectoração)

Estas são situações desconfortáveis e dolorosas, mas raramente graves.

Febre

A temperatura de uma criança que esteja sem nenhum problema de saúde é geralmente de 37º C. Varia consoante a hora do dia e a atividade da criança até aos 3 anos de idade.

Em geral, pela manhã a temperatura está mais baixa e à noite atinge o ponto máximo. Quando a temperatura atinge os 38º C é sinal de doença.

O que é que provoca a febre?



A febre é um sinal de que corpo se está a defender de uma infeção, inflamação ou doença. Ou seja, quando uma criança tem febre é sinal de que o seu corpo está a combater um qualquer agente infecioso. É por esse motivo que os médicos por vezes aconselham os pais a esperar para ver como reage a criança antes de lhe tentar baixar a febre, com medicamentos ou com técnicas de arrefecimento.

Termómetro

:

Há várias formas de medir a temperatura de uma criança com um termómetro:

  • Na boca/oral: a temperatura é refrescada pelo ar que se respira pelo nariz;
  • No ânus: é a mais elevada, porque é a temperatura no interior do corpo;
  • Debaixo do braço: está a meio caminho entre as outras duas.

O que fazer quando a criança tem febre?


Dos 0 meses até por volta dos 5 anos de idade as crianças podem ter grandes subidas de temperatura, que facilmente atingem os 40º C ou mais. Isso acontece mesmo devido a uma constipação ou a pequenas inflamações sem gravidade. 



Situações em que se deve falar com o médico ou ir às Urgências do Hospital ou Centro de Saúde, especialmente se decorrerem no espaço de 4 horas:

  • O bebé tem menos de 3 meses;
  • A febre é superior a 39.5º C;
  • Ocorrer uma convulsão;
  • Existirem outros sintomas associados, tais como dor de ouvidos, tosse, dor de garganta, etc;
  • Se a criança continuar com febre durante mais de 72 horas (3 dias).

Sinais de que a criança poderá estar com febre:

  • Corpo quente ao tato e/ou mãos frias (método nem sempre fiável);
  • Rosto corado;
  • Arrepios;
  • Suor;
  • Falta de energia.

Vómitos

O vómito é a expulsão forçada de alimentos ou líquidos do corpo e pode ser causado por diversas situações. É uma das defesas do corpo para se livrar de uma infeção ou de elementos tóxicos. As causas mais comuns do vómito são as infeções por vírus do estômago e/ou intestinos (gastroenterites).

Muitos bebés bolsam e, ocasionalmente, vomitam. Este problema não costuma ser grave, a menos que esteja associado a uma diminuição de peso ou a tosse excessiva. Se os vómitos forem intensos e repetidos podem levar à desidratação (perda de líquidos).

O que se deve fazer:

  • Dar pequenas quantidades de líquidos, por exemplo, chá de ervas muito diluído, uma bebida de cola mas sem o gás (pode retirar-se mexendo com uma colher metálica) ou água em pequenas colheres de chá intervaladas de 10 em 10 minutos, durante 1 hora;
  • Se a criança não vomitar no espaço de 1 hora pode dar-se uma pequena refeição (bolachas de água e sal);
  • Não se deve dar à criança nada de comer ou beber senão depois de 30 minutos depois de terem parado os vómitos;
  • Não obrigar a criança a comer pois o resultado pode ser o reinício dos vómitos;
  • Não se devem tratar os vómitos com medicamentos de venda livre;
  • É necessária paciência e não desesperar com o fato de a criança não estar a comer. Quando ele/a recuperar vai repor muito rapidamente o peso que perdeu;

Se os vómitos durarem mais de 6 horas ou forem acompanhados por dores abdominais, febre ou dor de cabeça é necessário consultar o médico.

Diarreia

As diarreias, ou perda de fezes muito líquidas, podem ter causas muito diversas.

Há duas causas principais de diarreia:

  • As de origem intestinal, que são quase sempre provocadas por vírus e que se curam por si sós.
  • As de origem bacteriana, que podem necessitar de um tratamento específico.

Tal como no vómito, o principal risco da diarreia é a desidratação. Por isso o que se deve fazer é semelhante ao que se faz quando a criança tem vómitos.

Quando uma criança ou bebé tem diarreia não lhe deve dar:

  • Sumos;
  • Doces (incluindo bolachas);
  • Fruta rica em fibras (à exceção da banana);
  • Legumes, saladas, fibras;
  • Leite/iogurtes (com lactose).

Pode-se dar aos bebés:

  • Leite sem lactose;
  • Papa sem lactose.

Pode-se dar às crianças:

  • Água;
  • Água de arroz (ferver 2 colheres de sopa de arroz sem lavar num litro de água);
  • Chá aguado com açúcar;
  • Puré de arroz e cenoura com sal (cenoura sem casca e sem a parte central);
  • Arroz branco;
  • Carne de carneiro ou de frango cozido;
  • Bife grelhado;
  • Peixe grelhado ou cozido com batata e cenoura;
  • Maçã cozida;
  • Banana;
  • Torradas.

Cólicas e obstipação

As cólicas e a obstipação (prisão de ventre), são consideradas problemas de saúde menos importantes durante os primeiros meses de vida. No entanto, podem ser causa de momentos difíceis para os pais e mães devido ao cansaço e falta de sono que podem causar, bem como pela preocupação com o bem-estar do bebé.

Sinais de que um bebé tem cólicas ou prisão de ventre:

  • Mostra-se irrequieto;
  • Tende a encolher as pernas sobre o peito;
  • Sofre ataques de choro inconsoláveis.

Pode aliviar-se o bebé:

  • Virando-o de barriga para baixo;
  • Massajando-lhe a barriga no sentido dos ponteiros do relógio, várias vezes ao dia e de preferência quando o bebé não está inquieto;
  • Fazendo-lhe ginástica com as pernas, dobrando os joelhos em direção à barriga;
  • Colocar uma cânula à entrada do ânus do bebé que permita a saída do ar e massajando-lhe a barriga.

Secressões nasais

O papel das secreções nasais (ranho) enquanto defesa natural:

O nariz funciona como um “filtro” de tudo o que entra no nosso organismo juntamente com o ar: poeiras, micróbios, fumos, poluição, substâncias alergénias, etc.

Para evitar que essas partículas indesejáveis entrem nos brônquios, o nariz atua como um filtro que as retém à entrada. O resultado é a produção de muco e de secreções, o vulgar “ranho”.

As crianças – com a poluição e contacto com outras crianças nas creches e infantários – andam frequentemente com o nariz entupido e “ranhosas”, às vezes logo desde o nascimento.

O que fazer?

É fundamental manter o nariz dos bebés e das crianças bem arejado, limpo e seco. Os bebés muito pequenos só sabem respirar pelo nariz (pela boca “engolem” o ar, em vez de o respirar, ficando com soluços e com cólicas).

Se a criança estiver com o nariz muito obstruído e claramente incomodada, pode usar soro fisiológico ou água marinha para ajudar a limpar e a amolecer o ranho. Também pode fazer vapores, colocar a criança num ambiente húmido (como na casa de banho depois de tomar banho) ou fazer uma nebulização.

Se o ranho for associado a febre deve consultar o médico. Quando o “ranho” é amarelado ou verde, poderá ser necessária a administração de um antibiótico, sobretudo se há febre alta durante 3 ou mais dias.

Tosse (Expectoração)

Porque se tosse?

Muitas doenças podem originar tosse, mas a maioria são ligeiras e benignas. A tosse é uma defesa natural do aparelho respiratório e serve para expulsar secreções ou pequenas partículas que se acumulam nas vias aéreas. Com a tosse, as impurezas das vias aéreas são expulsas e a criança ou as deita para fora, através do nariz ou da boca, ou acaba por as engolir, passando-as para o estômago.

Que doenças podem provocar a tosse?

A principal causa de tosse nas crianças são as infecções virais das vias aéreas superiores (constipações, rinites, inflamações dos adenoides, etc.), ou seja, as viroses que atacam principalmente o nariz e a garganta.

De uma forma geral, estas são as situações em que não se deve preocupar:

  • A tosse começou gradualmente;
  • A tosse mantém-se há alguns dias, mas já está a melhorar;
  • A criança não tem aspecto doente;
  • Brinca como habitualmente;
  • Dorme bem à noite;
  • Não tem febre ou vómitos;
  • Mantém o apetite;
  • Não tem dificuldade em respirar.

Cuidados a ter:

  • A tosse é muito frequente em crianças e pode ter muitas causas;

  • O seu tratamento deve ser o tratamento da doença que a provoca;

  • As medidas mais úteis são simples e consistem principalmente em dar líquidos à criança; fazer aerossóis com soro fisiológico, desobstruir o nariz e evitar o fumo de tabaco;

  • Os xaropes para a tosse não são geralmente necessários e, se forem necessários, devem ser sempre indicados pelo/a médico/a e por curtos períodos;
  • Sempre que tiver dúvidas, fale com o/a Pediatra.

Dentição

Por volta dos 6 meses os primeiros dentes começam a nascer. Quando isso acontece é natural que se note uma alteração no comportamento do bebé. A maioria dos bebés tem 20 dentes de leite até aos 2 anos e meio.

Sinais de que um dente vem aí:

  • Gengivas inchadas e vermelhas;
  • Excesso de baba;
  • Febre e tosse ligeira;
  • Levam à boca e mordem tudo o que conseguem.

Alguns sintomas associados à dentição:

  • Febre alta (acima dos 38º C);
  • Diarreia;
  • Dores de ouvidos;
  • Infeções das vias aéreas (tosse).

O que fazer para aliviar o desconforto do bebé?

  • Dar-lhe algo fresco para morder;
  • Massajar a gengiva com gel de dentição (que se vende na farmácia);
  • Dar muitos líquidos para beber.

Prevenção de acidentes na primeira infância

Desde que nasce que a criança é curiosa em relação ao que está à sua volta. Vive em constante exploração do mundo: dos sons, das cores, dos objetos e de tudo o que a rodeia. Assim, é natural que queira mexer, tocar, lamber, cheirar ou provar objetos que estão à sua mão em casa.



Os seus cuidadores devem permitir que, dentro dos limites da segurança, a criança possa explorar o mundo à sua volta, o que é muito importante para o processo de crescimento e aprendizagem. Porém, devem fazer algumas modificações básicas dentro de casa para evitar acidentes desnecessários.

Ver Relatório de Avaliação sobre Segurança Infantil 2009.

Todas as crianças têm direito a crescer em segurança, num clima de tranquilidade, sem medos nem receios. É obrigação de todos nós tornar esse direito numa realidade. A segurança começa em cada um de nós.

Embora pareça simples, em caso de emergência todos nós estamos confusos, alterados e, em muitos casos, não sabemos o que fazer. Se pretender aprofundar os seus conhecimentos sobre este tema consulte um Manual de Primeiros Socorros.

Acidentes mais frequentes e prevenção:

  • Afogamento: Uma criança pode-se afogar em apenas uns centímetros de água, mesmo na banheira durante o banho.


  • Asfixia: Dificuldade respiratória que leva à falta de oxigénio. Pode ser causada porque a criança põe na boca pequenos objetos, alimentos mal mastigados, ou ainda porque bebe líquidos que são tóxicos (ex: detergentes cáusticos)


  • Electrocussão (choque eléctrico): Acontece quando a criança ou o bebé entra em contato com a corrente elétrica, podendo originar queimaduras graves. 

  • Envenenamento: É o efeito produzido no organismo por um veneno introduzido por via digestiva, respiratória ou por contato com a pele.


  • Feridas: Uma ferida é uma rutura da pele que pode ser mais ou menos profunda com rompimento de tecidos e de vasos sanguíneos. Pode ser provocada por uma queda ou por golpe com objeto cortante.
  • Hematomas: Um hematoma (ou “galo”, quando acontece na cabeça, ou “nódoas negras”, quando noutras partes do corpo) é o rompimento interno de vasos sanguíneos provocado por pancadas ou quedas. 


  • Queimaduras: A gravidade de uma queimadura depende de vários fatores: da zona atingida pela queimadura, da extensão da pele queimada e da profundidade da queimadura, sendo geralmente muito dolorosa. Pode acontecer por electrocussão ou por contato com objetos ou líquidos a elevadas temperaturas (ex. sopas, chás, café, etc.).

**Regras fundamentais para a prevenção de acidentes dentro de casa:

As crianças nunca devem ficar sozinhas em casa e não devem ficar sob vigilância de outras crianças. Devem estar sempre sob vigilância de um adulto.

Mobília:

  • Atenção às toalhas de mesa. São fáceis de puxar, principalmente quando o bebé se começa a querer apoiar para se levantar. Trazem consigo tudo o que têm em cima, por exemplo, objetos cortantes, pesados e pontiagudos ou líquidos a ferver.
  • As esquinas das mesas devem ser protegidas com peças próprias que existem à venda para prevenir ferimentos na cabeça das crianças e bebés.
  • Verifique se debaixo da mesa não são esquecidos pequenos objetos que facilmente a criança coloca no nariz, nos ouvidos ou na boca.

Na cozinha:

  • Há objetos numa cozinha que podem estimular a curiosidade. Nunca se devem deixar facas ou objetos que cortam em cima das bancadas ou na máquina de lavar a loiça à vista do bebé.
  • É importante evitar ter as crianças perto dos fogões. Se não for possível, há que evitar ter bancos ou outros objetos que sejam fáceis de trepar, de modo a evitar as queimaduras.
  • Nunca o deixar o ferro de engomar ao alcance da criança, pois ela pode facilmente puxar o fio.

Casa de banho:

  • É necessária toda a atenção durante o banho. A criança pode afogar-se em apenas uns centímetros de água porque a sua cabeça é mais pesada do que o resto do corpo.
  • É necessário também cuidado com a temperatura da água, que deve ser sempre testada antes de colocar o bebé na banheira. A água deve estar morna no contato com as costas da mão do adulto. Devem ser utilizados tapetes ou formas antiderrapantes.
  • As sanitas devem ter o tampo fechado entre utilizações.
  • Máquinas como secadores, máquinas de barbear e aquecedores elétricos devem estar longe da água pois podem provocar electrocussão.

Noções básicas de primeiros socorros

A melhor forma de saber o que fazer em caso de emergência é estar preparado/a antes de esta acontecer.

Tenha um “kit” de primeiros socorros sempre à mão:

  • Desinfetante para feridas
  • Pomada para queimaduras
  • Fita adesiva e compressas esterilizadas
  • Pensos rápidos

Números de emergência úteis

Queimaduras:

  • Retirar o vestuário logo que possível, mas se ficou preso à pele só deverá ser tirado no serviço de urgência, para impedir que a pele seja também arrancada;
  • Aplicar água fria na zona da pele queimada: 10 minutos debaixo da torneira com água a correr;
  • Proteger a pele queimada com gaze normal;
  • Levar a criança o mais rapidamente possível a um serviço de urgência.

As queimaduras causam dores fortes. Assim, para diminuir a dor, pode aplicar-se de imediato um supositório igual ao usado habitualmente para a febre.

Nas queimaduras nunca se deve utilizar manteiga ou outras gorduras.

Feridas e Hemorragias:

O que fazer se a criança se cortar ou fizer uma ferida?

  1. Desinfetar a ferida;
  2. Fazer pressão durante alguns minutos, para parar a hemorragia;
  3. Colocar um penso compressivo;
  4. Se o corte for muito profundo, grande ou continuar a sangrar, é necessário ir a um serviço de urgência.

Asfixia ou engasgamento:

O que fazer se a criança se engasgar?

  1. Abrir a boca e tentar extrair o corpo estranho sem o empurrar mais para dentro;
  2. Colocar a criança de cabeça para baixo;
  3. Sacudir a criança e bater-lhe no meio das costas.

Intoxicações:

É importante reconhecer os sinais de que uma criança possa estar intoxicada:

  • Alteração do comportamento
  • Falta de resposta
  • Tontura
  • Outras queixas não explicáveis

Se houver suspeita de que a criança esteja intoxicada deverá ligar-se de imediato para o Centro de Informação Antivenenos: 808 250 143

Intoxicações - Quando ligar…



É necessário dar todas as informações possíveis:

  • Qual o tóxico que a criança provavelmente bebeu;
  • A que horas;
  • Que quantidade do tóxico ingeriu.

Deverá levar-se o frasco do produto para o hospital a fim de se iniciar o tratamento correto o mais depressa possível.


Intoxicação por gás ou outros tóxicos:

Toda a atenção e cuidado são poucos na prevenção das situações que podem originar intoxicações com gás ou outros produtos tóxicos gasosos.

Se houver suspeita de que a criança esteja intoxicada:

  • Deverá transportar-se a criança o mais rapidamente possível, para um local arejado.
  • Feche o aparelho que liberta o tóxico e abra todas as janelas e portas.

O monóxido de carbono é um gás produzido por aparelhos domésticos, como os esquentadores, e não tem cheiro. Por isso é importante que exista sempre uma boa ventilação ou exaustor próximo desses aparelhos.