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Género e Violência de Género

O género está relacionado com questões culturais e o sexo está relacionado com questões biológicas. Existem muitos estereótipos que continuam a condicionar homens e mulheres nas suas vidas, mas são as mulheres que continuam a ser mais discriminadas, apesar de todos serem iguais perante a lei. As mulheres e os homens são diferentes, mas não podem ser tratados desigualmente no acesso aos direitos, no trabalho, em casa e na sociedade, por causa dessas diferenças. Uma das formas de combater essa situação é através de uma educação de rapazes e raparigas mais igualitária.A violência de género é um problema grave, resultado das diferenças ainda existentes na sociedade.

Sexo e género

Não há nada de biológico que influencie as diferenças de papéis que existem entre homens e mulheres numa dada sociedade. Por exemplo, numas sociedades são as mulheres que cuidam das crianças, noutras são os homens. Numas são os homens que trabalham fora de casa, noutras são as mulheres. Assim, cuidar de crianças ou trabalhar fora de casa não tem nada a ver com biologia, tem a ver com a sociedade e respetiva cultura em que acontecem.

A diferença social entre homens e mulheres só existe porque achamos que, por terem corpos diferentes, uns e outros deverão ter características e papéis diversos/variados.

O conceito de género começou por ser utilizado para sublinhar que existem muitas distinções e discriminações baseadas no sexo biológico, sem razão de ser. Pretende assim afirmar que não é a biologia, mas a sociedade, que determina como homens e mulheres se deverão comportar.

Assim, o género refere-se às difrenças sociais existentes entre indivíduos dos dois sexos.

Sexo:

  • Características biológicas que diferenciam as mulheres e os homens;
  • São universais e não se alteram de sociedade para sociedade.

Género:

  • Diferenças sociais entre homens e mulheres;
  • Representação social do sexo biológico;
  • Tem por base representações (crenças, ideias e valores) em torno do sexo biológico.

Quando falamos de género referimo-nos aos atributos sociais, aos papéis, às tarefas, às funções, aos deveres, às responsabilidades, aos poderes, aos interesses, expetativas e necessidades que socialmente se relacionam com o facto de (se) ser homem ou (de se) ser mulher numa determinada sociedade e época.

Estereótipos de género

Estereótipos de género são as representações, generalizadas e socialmente valorizadas, sobre o que os homens e as mulheres devem ser e fazer.

Exemplo de estereótipos de género: o homem é forte e racional, a mulher é carinhosa e frágil.

Estas ideias são-nos incutidas desde muito cedo. Ler mais sobre Conceitos Básicos do Mainstreaming de Género.

Por sua vez, os papéis de género são comportamentos aprendidos numa dada sociedade, que fazem com que os seus membros percecionem certas atividades como sendo da responsabilidade de homens ou mulheres, valorizando essas atividades de forma diferente.

Regra geral, as atividades que as mulheres realizam são consideradas menos importantes do que as que são atribuídas aos homens.

Exemplo de papéis de género:

  • Mulheres: fazer limpezas, tomar conta dos filhos;
  • Homens: gerir negócios, trabalhar fora de casa.

Género e discriminação

A nossa sociedade continua a ser muito influenciada por perspetivas machistas sobre os papéis dos homens e das mulheres na sociedade. Assim, em muitas áreas da vida, as mulheres continuam a ser discriminadas e tratadas de forma diferente dos homens.

Ver Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Por exemplo, no trabalho:

  • As mulheres são tradicionalmente associadas a tarefas que realizam em casa (por exemplo, cozinhar, limpar, cuidar de crianças, etc.);
  • A maioria dos cargos dirigentes e de responsabilidade são ocupados por homens;
  • Em tarefas iguais, as mulheres recebem em média menos 30% do que os homens;
  • A taxa de emprego das mulheres é mais baixa;
  • As mulheres ficam desempregadas durante mais tempo;
  • As mulheres têm empregos menos estáveis.

Ao mesmo tempo, as mulheres continuam a ter a responsabilidade de realizar a maioria das tarefas domésticas:

  • Cuidar dos filhos;
  • Fazer limpezas;
  • Cozinhar;
  • Cuidar dos dependentes.

Muitas mulheres têm, assim, que conciliar um trabalho a tempo inteiro com uma vida familiar, igualmente, a tempo inteiro.

Além disso, mantêm-se ainda outros desequilíbrios, por exemplo, (que fazem com que) a percentagem de mulheres que são deputadas na Assembleia da República ou que são ministras é (seja) muito inferior à percentagem de homens.

Ler mais sobre Empoderamento.

Discriminação e a lei

Antes do 25 de Abril de 1974, existiam leis que submetiam as mulheres a uma condição inferior à do homem em vários aspetos da vida. As mulheres eram privadas, por lei, do seu direito:

  • À liberdade;
  • Ao trabalho;
  • A possuir e administrar património;
  • A circular na via pública;
  • A eleger e a serem eleitas;
  • A tomar decisões na sua vida pessoal e dos seus filhos;
  • A decidir sobre a sua sexualidade.

Ou seja, não tinham o estatuto de seres completos, sendo consideradas incapazes, inferiores e condenadas, por lei, a servir os interesses dos homens.

Depois dessa data, progressivamente foram sendo eliminados da legislação Portuguesa os diversos diplomas e enunciados que discriminavam as mulheres.

Por exemplo, foi consagrado na lei o princípio da igualdade entre mulheres e homens. As responsabilidades familiares e domésticas passaram a ser repartidas entre mulheres e homens, tendo a figura do chefe de família sido retirada da lei.

Isso não significa que não existam diferenças entre homens e mulheres na sociedade. Porém, elas já não se podem justificar em termos legais.

Género e família

A família é o primeiro contexto em que muitos estereótipos de género são transmitidos às crianças, nomeadamente quando existe uma diferenciação clara do tipo de atividades que homens e mulheres exercem em casa. Por exemplo, numa família dita tradicional, o homem poderá dedicar-se a cuidar do seu carro e dos arranjos em casa, enquanto a mulher cozinha, limpa a casa e cuida das crianças.

Depois existe, também, o que pais e mães esperam ou pedem aos/às seus/suas filhos/as. Por exemplo, às raparigas é, muitas vezes, pedido para arrumar a mesa, lavar a loiça, aprender a cozinhar ou ainda a cuidar dos irmãos mais pequenos. Em contraposição, aos rapazes dá-se mais liberdade e espera-se que se interessem mais por desporto e por carros.

O que se pode fazer para combater isso?

  • Solicitar a ajuda dos rapazes/homens em tarefas habitualmente desempenhadas pela rapariga/mulher como, por exemplo, a preparação de refeições, pôr a mesa ou lavar a loiça;
  • Pedir a colaboração das raparigas em responsabilidades tradicionalmente atribuídas aos rapazes, como a reparação de pequenas avarias ou o desempenho de determinadas tarefas que envolvam o manuseamento de ferramentas (e.g., martelos, chave de parafusos);
  • Elogiar as raparigas não só pelas suas boas maneiras e pela sua aparência, mas também pela sua audácia a enfrentar desafios, ou ainda pelo seu interesse nos estudos;
  • Enaltecer os rapazes não só pela sua independência e assertividade, mas também pela sua preocupação para com os outros, pela sua delicadeza e pela sua capacidade de manter as coisas arrumadas.

Saber mais sobre Plano para a Igualdade.

Violência de género

Outra das formas através das quais se verificam diferenças entre homens e mulheres na nossa sociedade é no fenómeno da violência contra as mulheres, também chamada de violência de género. Esta última expressão também pode incluir a violência sobre vítimas homens, por parte das suas companheiras e esposas, a qual, sendo menos frequente e visível, também existe.

O que fazer se for vítima de violência doméstica?

Violência de género pode ser definida como qualquer ato de violência baseado no género, de que resulte ou possa resultar sofrimento ou lesão física, sexual ou psicológica para a vítima, nomeadamente:

  • Violência física, sexual e psicológica;
  • A ameaça da prática de tais atos;
  • A coação;
  • A privação arbitrária da liberdade;
  • Mutilação genital feminina e outras práticas tradicionais (por exemplo, a circuncisão de crianças) que podem vir a prejudicar as vítimas;
  • Violência não-marital e violência relacionada com a exploração;
  • Violação, abuso sexual, assédio sexual e intimidação no local de trabalho, em instituições de educação ou qualquer outro local;
  • O tráfico de mulheres e a prostituição forçada.

[ONU (2001) Plataforma de Acção de Pequim 1995 & Iniciativas e Ações Futuras - Igualdade de Género, Desenvolvimento e Paz para o Século XXI. Agenda Global - Nº 5 Lisboa: CIDM, Presidência do Conselho de Ministros]

Todo e qualquer tipo de violência no contexto das relações amorosas não é admissível nem deve ser tolerada em nenhuma circunstância e é punida por lei. É importante realçar que a violência também pode existir em casais de pessoas do mesmo sexo e que, nesses casos, as vítimas têm os mesmos direitos que as pessoas em relações heterossexuais.

Consequências do 25 de Abril de 1974

A Revolução Portuguesa do 25 de Abril de 1974 teve algumas consequências, relativas a esta temática:

  • É aberto às mulheres o acesso a todos os cargos da carreira administrativa a nível local, da carreira diplomática e da magistratura;
  • A mulher casada deixa de ter estatuto de dependência do marido;
  • Deixa de haver poder marital: ambos dirigem a vida comum e cada um a sua;
  • Desaparece a figura de “Chefe de Família”;
  • O governo doméstico deixa de pertencer, por direito próprio, à mulher;
  • Os cônjuges decidem em comum qual é a residência do casal;
  • Tanto o marido quanto a mulher podem, aquando do casamento, acrescentar ao seu nome até dois apelidos do outro;
  • Cada um dos cônjuges pode exercer qualquer profissão ou atividade sem o consentimento do outro.

Planeamento Familiar

É importante conhecer os métodos contraceptivos disponíveis em Portugal. Estes métodos servem para prevenir a gravidez. Através da sua utilização e recorrendo às consultas de planeamento familiar, homens e mulheres podem planear quando ter filhos, caso decidam tê-los.Existem diversos tipos de métodos contraceptivos, cada um com vantagens e limitações. Alguns requerem aconselhamento médico, como a pílula ou o DIU, outros podem ser comprados diretamente na farmácia e noutros locais, como o preservativo externo e externo.O planeamento familiar está disponível de forma gratuita, para qualquer utente que resida em Portugal, independentemente da sua idade, etnia ou nacionalidade.

O que é o planeamento familiar?

Planeamento Familiar é o conjunto de cuidados de saúde sexual e saúde reprodutiva que têm como objetivo:

  • Promover comportamentos saudáveis face à sexualidade;
  • Informar e aconselhar sobre a saúde sexual e saúde reprodutiva ;
  • Reduzir a incidência das infeções sexualmente transmissíveis e as suas consequências, nomeadamente a infertilidade;
  • Reduzir os índices de mortalidade e morbilidade materna, perinatal e infantil;
  • Permitir ao casal decidir quantos filhos quer, se os quer e quando os quer, ou seja, planear a sua família;
  • Prevenir uma gravidez não desejada e planeada;
  • Preparar e promover uma maternidade e paternidade responsável;
  • Melhorar a saúde sexual e reprodutiva do casal e o bem-estar da família.

Onde se faz planeamento familiar?

As consultas de Planeamento Familiar (PF) existem em muitos Centros de Saúde e Hospitais. No entanto, os médicos de família também estão habilitados a apoiar os seus utentes de todas as idades em planeamento familiar, contracepção, gravidez e outros assuntos relacionados com a saúde sexual e reprodutiva. Em muitas localidades no nosso país, existem também consultas especialmente dirigidas aos jovens sobre Planeamento Familiar.

O que é que se faz nas consultas de Planeamento Familiar?

  • Esclarecem-se dúvidas sobre a forma como o corpo se desenvolve e o modo com funciona em relação à sexualidade e à reprodução, tendo em conta a idade da mulher e/ou do homem;
  • Dá-se informação e acompanhamento, tendo em vista uma futura gravidez (fertilidade e infertilidade);
  • Prestam-se informações; informa-se sobre anatomia e fisiologia da sexualidade humana e função reprodutiva;
  • Faculta-se informação completa, isenta e com fundamento científico sobre todos os métodos contracetivos;
  • O método contracetivo escolhido e aconselhado medicamente é fornecido gratuitamente nos serviços de saúde;
  • Prestam-se esclarecimentos sobre as consequências de uma gravidez não desejada e planeada;
  • Presta-se informação e ajuda na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de infeções sexualmente transmissíveis como a hepatite B, a sífilis, o herpes genital e a SIDA;
  • Para a mulher: efetua-se o rastreio do cancro da mama e do colo do útero. Para o hmem: exames da próstata (acima dos 45 anos);
  • Faz-se o acompanhamento da gravidez e a preparação para o parto.

Métodos contracetivos

Os métodos contracetivos são procedimentos que se utilizam para prevenir uma gravidez não desejada e têm como objetivo evitar a fertilização, a ovulação, a implantação de um óvulo fertilizado na parede do útero ou ainda impedir o encontro entre o espermatozóide e o óvulo. Alguns deles, como o preservativo masculino e feminino protegem simultaneamente de Infeções Sexualmente Transmissíveis.

Eles contribuem para poder escolher uma vida afetiva de qualidade e para poder viver a sexualidade sem riscos desnecessários.

Métodos contracetivos hormonais

Os métodos contracetivos hormonais utilizam hormonas que são responsáveis pela inibição da ovulação, impossibilitando uma fecundação e, como tal, uma gravidez. Estas hormonas procuram imitar as hormonas normalmente libertadas pelos ovários das mulheres, isto é, são semelhantes a essas hormonas, dificultando a conceção e a implantação do óvulo no útero.

Consulte a tabela dos métodos hormonais.

Métodos contracetivos hormonais

Pílula contraceptiva

A pílula é um método contracetivo muito eficaz, se tomada de acordo com as instruções médicas. É composta por hormonas semelhantes às produzidas pelos ovários (o estrogénio e a progesterona). Atua inibindo a ovulação (libertação dos óvulos), mas também aumenta a espessura do muco cervical e torna o revestimento do útero mais fino. Sem ovulação não pode haver fecundação e, sem fecundação, não há gravidez.

A pílula contracetiva pode ser tomada por quase todas as mulheres em idade fértil mas, como qualquer outro medicamento, deve ser aconselhada por um/a técnico/a de saúde.

Em mulheres fumadoras, a partir dos 35 anos recomenda-se a utilização de outro método contracetivo ou de uma pílula que apenas contenha na sua composição progestativos, uma vez que a pílula combinada poderá aumentar a possibilidade de efeitos secundários indesejáveis.

As mulheres que tenham doenças hepáticas (fígado) ou que tenham tido acidentes tromboembólicos ou vasculares também não têm indicação para tomar a pílula (combinada) bem como mulheres que tenham que fazer medicação de forma continuada que diminua a eficácia da pílula (por exemplo, caso dos medicamentos para a epilepsia ou antirretrovirais).

A pílula não previne as infeções sexualmente transmissíveis.



Como utilizar?


  • A pílula contracetiva é um medicamento e, como tal, deve ser prescrito por um/a profissional de saúde. Deve começar por ler o folheto da pílula e, se tiver dúvidas, falar com o/a médico/a ou ligar para a Sexualidade em Linha (808 222 003);
  • Na primeira vez que se começa a utilizar a pílula, deve-se tomar a primeira drageia no 1º dia da menstruação. Deste modo, a eficácia contraceptiva fica logo assegurada, não sendo necessário utilizar em simultâneo outra protecção adicional;
  • Se for iniciada num outro dia do ciclo menstrual, deve-se utilizar o preservativo nas relações sexuais durante os primeiros 7 dias de toma. Somente a partir do 8º comprimido tomado correctamente é que a pílula começa a ser eficaz;
  • A pílula deve ser tomada sempre à mesma hora, para criar uma rotina na toma. Se a mulher tiver dificuldade em lembrar-se de a tomar pode, por exemplo, colocar um alarme no seu telemóvel para não se esquecer;
  • No caso das pílulas mais comuns, compostas por 21 comprimidos, após o término da embalagem deve-se fazer uma pausa de 7 dias, surgindo na sequência a hemorragia de privação. Ao 8º dia deve recomeçar uma nova embalagem da pílula.

O que fazer se houver um esquecimento?


  • Se existe o esquecimento de um único comprimido, e se o atraso for inferior a 24 horas, deve tomar o comprimido assim que der conta do esquecimento e continuar a tomar a pílula normalmente (e tomando o comprimido seguinte à hora habitual). O esquecimento ou falha de um comprimido não compromete a eficácia da pílula, independentemente da semana em que ocorre.

  • Se existe o esquecimento ou falha de dois ou mais comprimidos, estes podem diminuir a eficácia da pílula, dependendo da semana em que ocorram.

Se os esquecimentos ocorrem na primeira semana (do 1º ao 7º comprimido), a eficácia da pílula fica comprometida. Deve tomar os comprimidos esquecidos e analisar se existiram relações sexuais nos 3 dias anteriores pois, se foi o caso, deve ponderar recorrer à contracepção de emergência e continuar a tomar a pílula normalmente. Para além disso, deve utilizar proteção adicional (preservativo) nos 7 dias seguintes.

Se os esquecimentos foram na segunda semana (do 8º ao 14º comprimido), deve prosseguir a toma da embalagem e usar proteção adicional (preservativo) nos 7 dias seguintes.

Se os esquecimentos acontecerem na 3ª semana (do 15º ao 21º comprimido) deve terminar a embalagem e iniciar outra sem fazer pausa, assim como utilizar contraceção adicional (preservativo) nos 7 dias seguintes.

Métodos contracetivos hormonais

Adesivo transdérmico

O adesivo transdérmico é um método contracetivo hormonal de uso semanal. Trata-se de um adesivo fino, de cor beje, quadrado, confortável e fácil de aplicar. O adesivo transfere uma dose diária de hormonas - estrogénio e progestagénio - através da pele para a corrente sanguínea. Estas hormonas são similares às produzidas pelos ovários e usadas também nas pílulas contracetivas.

O adesivo funciona de duas formas:

  • Impede a ovulação (libertação do óvulo); e
  • Torna mais espesso o muco do colo do útero, dificultando a entrada dos espermatozóides no útero.

Onde aplicar o adesivo?



O adesivo pode ser aplicado na parte de fora do braço, nas costas, no abdómen ou na nádega. Não se deve aplicar o adesivo sobre o peito (mamas).



Como utilizar o adesivo?

  • Cada embalagem contém três adesivos. Cada adesivo é colocado uma vez por semana, durante três semanas consecutivas, seguidas de uma semana de descanso;
  • O 1º adesivo deve ser aplicado no 1º dia da menstruação (garantindo assim a sua eficácia contracetiva desde o primeiro dia de utilização);
  • Após sete dias, o 1º adesivo é retirado e substituído por outro. Esta mudança ocorrerá no 8º dia e, mais tarde, no 15º dia após o início. O adesivo pode ser mudado a qualquer hora do dia;
  • Após 3 semanas (3 adesivos), faz-se uma semana de descanso, durante a qual poderá aparecer uma espécie de menstruação (hemorragia de privação);
  • Passados sete dias, começa novo ciclo e coloca um novoadesivo, repetindo todo o procedimento;
  • Se aplicar o adesivo em qualquer dia, à sua escolha, do ciclo menstrual, é necessário utilizar proteção adicional durante sete dias com um método contraceptivo não hormonal, por exemplo, o preservativo.

Métodos contracetivos hormonais

Dispositivo intrauterino (DIU)

Existem dois tipos de DIU:

  • DIU Com cobre - não contém hormonas; os ciclos menstruais mantêm-se com os intervalos a que a mulher estava habituada; as perdas de sangue e as dores menstruais podem aumentar ligeiramente;

  • SIU Com hormonas, também conhecido por Sistema Intrauterino (SIU) - as perdas de sangue e as dores durante a menstruação tendem a diminuir.

O DIU é um pequeno dispositivo, constituído por finas hastes, que é introduzido por um/a profisisonal de saúde no útero, com o objetivo de evitar uma gravidez. O seu mecanismo de ação é dificultar a entrada dos espermatozóides no útero e provocar uma reação “inflamatória” no útero que impede a nidação. Hoje quase todos os DIU podem permanecer no útero com eficácia durante 5 anos e alguns durante 10 anos.

O SIU (Sistema intrauterino hormonal) baseia-se na combinação de um sistema intra-uterino e de uma hormona, o progestagénio. Este método é, tal como o DIU, um pequeno dispositivo constituído por finas hastes, feito de plástico e colocado directamente no útero, evitando que um ovo fertilizado se implante (nidação) e, também, através do espessamento do muco à entrada do útero, o que faz com que a penetração pelos espermatozóides se torne mais difícil. O sistema intra-uterino permanece no corpo até cinco anos, tempo durante o qual liberta a sua substância activa continuamente e em quantidades iguais.

O que é importante saber?

  • Apenas um/a médico/a pode colocar o DIU/SIU; este é um processo simples realizado em consulta;
  • Não interfere no relacionamento sexual;
  • Não diminui a fertilidade: depois de ser retirado, a mulher volta a poder engravidar, tal como antes de o ter colocado;
  • Pode ser usado por mulheres que nunca engravidaram;
  • Se a mulher tomar anti-inflamatórios durante algum tempo, isso pode cortar o efeito contracetivo, no caso dos DIU com cobre;
  • Após a sua colocação, a mulher deve ir regularmente ao/à ginecologista ou a uma consulta de planeamento familiar;
  • Não protege das infeções sexualmente transmissíveis.

Métodos contracetivos hormonais

Anel vaginal

É um contracetivo hormonal que tem a forma de um anel, em plástico, de textura suave, transparente, flexível, com cerca de 5 cm de diâmetro e é introduzido na vagina.

Como funciona?



O anel está impregnado de hormonas (o estrogénio e o progestagénio - são semelhantes às produzidas pelos ovários), que vão sendo libertadas diariamente, de forma regular, através das paredes da vagina, para a corrente sanguínea e que inibem a ovulação, ou seja, impedem que os óvulos se libertem dos ovários e que se dê a fecundação.

O que é importante saber?

  • Se houver esquecimento e o anel só for retirado na 4ª semana de utilização, não é necessário nenhum cuidado contracetivo suplementar;
  • Se o anel vaginal for colocado no 1º dia da menstruação, a eficácia contraceptiva fica logo assegurada, não sendo necessária protecção adicional. No caso de ser colocado num outro dia do ciclo, deve utilizar-se o preservativo nas relações sexuais até acumular 7 dias de utilização do anel;
  • O anel vaginal é fácil de colocar e é eficaz desde que esteja dentro da vagina e não incomode. Se incomodar, basta empurrá-lo um pouco mais para dentro;
  • Não interfere com as relações sexuais. Raramente, a mulher ou o parceiro sentem a sua presença durante a relação sexual. Pode utilizar-se preservativo juntamente com o anel. Vómitos e diarreias não interferem com a sua eficácia. Espera-se que as hemorragias se tornem regulares e previsíveis;
  • É possível fazer o exame ginecológico sem retirar o anel;
  • Se por acaso o anel sair da vagina, basta passá-lo por água fria ou morna (nunca água quente) e tornar a colocá-lo. O anel não deve estar mais de três horas fora da vagina.

Métodos contracetivos hormonais

Contracetivo injetável

É uma injeção contracetiva que contém uma dose de hormonas de progestagénio semelhantes às produzidos pelos ovários. Uma vez injetada no músculo (geralmente nas nádegas da mulher, mas também pode ser administrada na perna ou no braço), o progestagénio é gradualmente libertado na corrente sanguínea e o efeito contracetivo pode persistir enquanto o efeito da injeção permanecer, e por vezes, durante mais algum tempo. A injeção deve ser repetida de três em três meses.

As injeções funcionam, principalmente, pela inibição da ovulação, embora também produzam o espessamento do muco cervical e tornem o revestimento do útero menos espesso.

O que é importante saber?

  • A injeção deve ser administrada por um/a técnico/a de saúde;
  • É simples de usar;
  • Fornece proteção contracetiva durante 3 meses;
  • Tem as mesmas contraindicações que a pílula contracetiva;
  • Pode ser utilizada durante a amamentação;
  • A eficácia não é afectada por perturbações gastrointestinais;
  • Recomendado para mulheres que não podem tomar estrogénios.

Métodos contracetivos hormonais

Implante subcutâneo

É um método contracetivo de longa duração que utiliza apenas um progestativo (hormona semelhante à progesterona). Trata-se de um bastonete em plástico, de cerca de 5cm, de material macio e flexível, que se coloca por baixo da pele (implante intradérmico) e que vai libertando hormonas de forma gradual e contínua. O implante hormonal tem uma duração de três anos. Uma vez introduzido correctamente, não requer qualquer acção diária por parte da mulher e é um método contracetivo muito eficaz.

Como atua?

O implante evita a gravidez de várias formas. A mais importante é por meio da inibição da ovulação, ou seja, inibe a libertação dos óvulos pelos ovários. Altera também o muco cervical e esta alteração pode impedir que os espermatozóides entrem no útero; além disso, provoca uma alteração do revestimento do útero, o que impede que o óvulo se possa implantar.

Quando colocar o implante?



  • O implante deve ser inserido por baixo da pele do braço nos primeiros cinco dias do ciclo menstrual sendo, assim, de eficácia imediata. Caso seja colocado numa outra altura do ciclo menstrual, deve-se utilizar proteção adicional durante os primeiros 7 dias de utilização.
  • O implante tem que ser introduzido e retirado por meio de um procedimento realizado no consultório ou hospital pelo/a médico/a. É utilizado um anestésico local de efeito ligeiro para minimizar o desconforto, tanto na introdução como na remoção.
  • Uma vez introduzido, o implante pode permanecer até três anos embora, caso se pretenda, possa ser removido mais cedo. Recomenda-se apalpação, logo após a colocação, para localização do implante.
  • É importante a vigilância médica anual.

Métodos contracetivos hormonais

Contraceção de emergência

É um método contracetivo hormonal. Tal como o nome indica, deve apenas ser utilizado em situações de emergência e não como recurso habitual para evitar a gravidez.

Pode ser utilizado após uma relação sexual não protegida (quer por não ter sido utilizada contraceção, quer por a contraceção ter falhado), até um máximo de 120 horas (5 dias) após a relação sexual de risco. Os métodos contracetivos de emergência existentes são: a contraceção de emergência hormonal e o dispositivo intrauterino (DIU).

Destes dois métodos, o mais utilizado é a contraceção oral de emergência (vulgarmente designada como “pílula do dia seguinte”) que pode ser tomada por todas as mulheres que pretendem diminuir o risco de uma gravidez não desejada.

A Contraceção de Emergência atua de três formas:

  1. Pode inibir ou adiar a ovulação (a saída do óvulo do ovário da mulher);
  2. Pode impedir a fecundação (o encontro do espermatozoide com o óvulo);
  3. Pode impedir a nidação (implantação do ovo na parede do útero).



Até quanto tempo após a relação sexual de risco se pode tomar a Contraceção oral de Emergência?

Embora lhe chamem a “pílula do dia seguinte” pode ser tomada até 120 horas (5 dias) após a relação sexual que seja considerada de risco. Porém, é tanto mais eficaz, quanto mais cedo for tomada. Sempre que possível deve ser utilizada nas primeiras 24 horas após a relação sexual.


O que é preciso saber?

  • Se a mulher já estiver grávida, ou seja, se o ovo já estiver implantado no útero, a contraceção de emergência é totalmente ineficaz, e não tem qualquer efeito negativo sobre o embrião ou a gravidez.
  • A contraceção de emergência não provoca infertilidade.
  • Não deve ser utilizada mais do que uma vez por ciclo, já que a sua eficácia vai sendo mais reduzida.
  • Não protege contra as infeções sexualmente transmissíveis.
  • A contraceção de emergência não é uma pílula abortiva. A Organização Mundial de Saúde definiu o começo de uma gravidez a partir do momento que se dá a implantação do ovo nas paredes do útero (nidação). Se a mulher já estiver grávida, ou seja, se a nidação já tiver acontecido, a contraceção de emergência é totalmente ineficaz e não tem qualquer efeito sobre o embrião ou na gravidez.

Tem efeitos secundários?

Pode provocar, em alguns casos:

  • Náuseas;
  • Vómitos;
  • Pequenas perdas de sangue idênticas à menstruação;
  • Tensão mamária;
  • Dores de cabeça;
  • Cansaço.

Métodos contraceptivos de barreira

Métodos de barreira são formas de contraceção que impedem o contacto do esperma com a vagina e colo do útero. Assim, evitam a fertilização de um óvulo.

Consulte a tabela dos métodos de barreira.

Preservativo externo/masculino

O preservativo é fabricado em látex ou em poliuretano ultrafino, pré-lubrificado, vem enrolado numa embalagem e deve ser colocado no pénis ereto antes de qualquer contacto genital.O preservativo atua como barreira, impedindo que os espermatozoides (células reprodutoras masculinas) entrem na vagina e atinjam o óvulo (célula reprodutora feminina), fecundando-o e dando origem a uma gravidez. O preservativo externo evita a gravidez e previne a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o VIH, vírus que provoca a SIDA.



Como funciona?

  • Evita que o esperma entre em contato com o aparelho reprodutor feminino;
  • Evita que os microrganismos que provocam infeções passem de um/a parceiro/a para outro/a.

Que cuidados se devem ter?

  • Observar o estado de conservação da embalagem;
  • Observar o prazo de validade;
  • Conservar as embalagens dos preservativos em lugares frescos e afastados do sol directo;
  • Abrir a embalagem com cuidado (sem utilizar objetos cortantes e evitando que as unhas rompam o preservativo);
  • Utilizar o preservativo apenas uma vez;
  • Não esquecer de usar sempre preservativos de marca conhecida; isto porque os preservativos de marcas desconhecidas podem não estar certificados ou aprovados pela Defesa do Consumidor e pelas normas da União Europeia;
  • Qualquer medicamento que se aplique no pénis ou na vagina poderá afetar o preservativo; em caso de dúvida, deverá falar com o médico;
  • Usar um preservativo novo em cada relação sexual;

Quais as vantagens?

  • Fácil utilização;
  • Não requer qualquer ida ao médico, não implicando aconselhamento ou receita;
  • Fácil aquisição;
  • Fácil transporte;
  • É possível adquiri-los gratuitamente;
  • Não implica planificação;
  • Não comporta qualquer risco para a saúde nem tem efeitos secundários;
  • Permite o controlo absoluto, por parte do elemento masculino, da contracepção;
  • Pelo facto de ser externo, permite um controlo de eficácia imediato.
  • Contracepção de curto prazo;
  • Previne e protege das IST’s.

Quais as desvantagens?

  • Grau de interferência, muito subjetivo, que pode apresentar para o casal;
  • Eficácia dependente do uso correcto e consistente do método;
  • Alguns homens argumentam perda de sensibilidade na relação, bem como alergias (ao latex e/ou lubrificante);
  • Uso único a cada relação.

Preservativo interno/feminino

O preservativo interno é um tubo de borracha fina, com um anel em cada extremidade. Um destes anéis é fechado e inserido na vagina, de modo a tapar o colo do útero. A outra extremidade é aberta e ajusta-se em volta da abertura da vagina e da vulva. Pode ser inserido até oito horas antes do coito.

Como se coloca?

  • Segurar o preservativo com a extremidade aberta voltada para baixo;
  • Inserir dois dedos no interior do preservativo em direção à esponja/anel interno e apertá-lo, de forma a torná-lo estreito; inserir a esponja/anel interno e o preservativo na vagina;
  • A esponja/anel deve retomar a forma original antes do coito;
  • No final do coito, torcer o anel e puxar delicadamente o preservativo para fora.

Quais as vantagens?

  • Fácil utilização;
  • Não requer qualquer ida ao médico, não implicando aconselhamento ou receita;
  • Fácil transporte;
  • Não implica planificação, podendo ser colocado horas antes da relação e retirado várias horas após;
  • Não comporta qualquer risco para a saúde, nem tem efeitos secundários;
  • Pelo facto de ser feito de poliuretano, é 10 vezes mais resistente do que o preservativo externo (e consequentemente diminui os riscos de romper);
  • Fácil transporte;
  • Permite um controlo de eficácia imediato;
  • Contracepção de curto prazo;
  • Previne e protege das IST’s.

Quais as desvantagens?

  • É mais caro do que o preservativo de uso externo;
  • Nem sempre é de fácil acesso (nomeadamente nas farmácias);
  • Para alguns casais, do ponto de vista subjetivo, não é agradável esteticamente;
  • Pelo facto de implicar manipulação genital, não é um método confortável para todas as pessoas.

Métodos contraceptivos – Espermicida

Os espermicidas são compostos por substâncias que diminuem a capacidade de fecundação dos espermatozoides. Podem apresentar-se sob a forma de creme, gel, espuma, comprimidos vaginais, esponja, cone ou membrana. Não têm efeitos sistémicos, são de fácil utilização e não necessitam de acompanhamento médico. Podem aumentar a lubrificação vaginal.

Que cuidados se devem ter?

  • Deve ser utilizado em simultâneo com outro método contracetivo, porque só por si é pouco eficaz;
  • Devem ser aplicados 5 a 10 minutos antes do ato sexual, exceto as esponjas/tampões contracetivos que podem ser inseridos algumas horas antes.

Métodos contraceptivos definitivos

São métodos contraceptivos permanentes e definitivos, realizados através de cirurgia, pelo que devem ser escolhidos apenas quando se está seguro que não se quer ter mais filhos.

  • Muito seguros, com uma taxa de falha muito baixa;
  • Não interferem no desempenho sexual nem no normal funcionamento dos órgãos sexuais;
  • Um procedimento único assegura a contraceção; e
  • São métodos não hormonais.
  • Não protegem das IST, pelo que se torna importante a utilização de um método de barreira com esta finalidade (como o preservativo).

Ainda que sejam muito eficazes, como todos os métodos podem, por vezes, falhar. Estes métodos não protegem das infecções sexualmente transmissíveis. Os métodos contraceptivos definitivos são formas de contracepção permanentes e definitivas que requerem uma pequena intervenção cirúrgica. Devem ser escolhidos apenas quando se está seguro de não se querer ter mais filhos.

Ainda que sejam muito eficazes, como todos os métodos podem, por vezes, falhar. Estes métodos não protegem das infecções sexualmente transmissíveis.

Vasectomia

Consiste na interrupção do canal que leva os espermatozoides dos testículos para o pénis. Assim, no momento da ejaculação, o homem liberta apenas os outros líquidos produzidos no seu aparelho genital, mas não espermatozoides. Não interfere com a capacidade sexual do homem. Além disso, continua a existir ejaculação, uma vez que os espermatozoides são apenas uma pequena parte do esperma.

Que cuidados se devem ter?

  • Só pode ser realizado por um/a técnico/a de saúde, mas não requer internamento;
  • Não é um método de eficácia imediata. São normalmente necessárias 12 a 20 ejaculações até já não existirem espermatozoides no esperma;

Laqueação de trompas

Consiste na interrupção das trompas, impedindo, por isso, a fecundação do óvulo pelos espermatozoides e, portanto, a gravidez. Às vezes as trompas são cortadas, outras vezes é colocado um anel que bloqueia o seu trajeto.

O que é importante saber?

  • A mulher continua a ter menstruação;
  • Não interfere no relacionamento sexual; e
  • Apesar de ser uma ideia (errada) frequente, não existem laqueações tubárias reversíveis;
  • Só pode ser realizado por um/a técnico/a de saúde, mas não requer internamento.

Métodos contracetivos naturais e de abstinência sexual periódica

São métodos baseados em sinais que o corpo da mulher manifesta e que indicam que ela está no período fértil. Nesse período, o casal opta por não ter relações sexuais em que exista contato do pénis com a vagina. Daí o nome de abstinência sexual periódica.

Em termos de eficácia, estes métodos não são os mais seguros. Também não evitam as infecções sexualmente transmissíveis.

Método do Calendário ou Ogino-Knauss

Para utilizar este método, é necessário fazer contas sobre os ciclos menstruais anteriores para calcular o período fértil. A sua eficácia falha muitas vezes porque se baseia na informação passada para prever a duração dos ciclos futuros, que podem variar.

É um método que consiste em anotar durante cerca de 1 ano as datas das menstruações, de forma a perceber a duração dos ciclos menstruais. Deste modo, fica-se a saber qual o ciclo mais curto e qual o mais longo e, através de uma fórmula, pode proceder-se ao cálculo do provável período fértil.

Método da Temperatura ou Sinto-Térmico

Após a ovulação, a temperatura da mulher aumenta aproximadamente de 0,3 a 0,4 graus centígrados e continua alta até o início da menstruação seguinte. A mulher deverá anotar a temperatura todos os dias pela manhã, antes de se levantar e durante alguns meses. Assim poderá descobrir um padrão e definir a provável data da sua ovulação. A temperatura deve ser medida colocando-se sempre o mesmo termómetro (e sempre no mesmo local: boca, vagina ou ânus) por três minutos.

Este método permite à mulher saber quando é que acontece uma ovulação, através das alterações da temperatura do seu corpo. Para isso, ela deve medir a temperatura todas a manhãs, durante um mês, antes de se levantar, e apontar num gráfico. A avaliação da temperatura poderá ser vaginal, oral ou rectal (após 6 horas de sono). A ovulação ocorre no dia em que a temperatura aumenta de 0.2 a 0.5°C.

É um método pouco eficaz para evitar uma gravidez pois a temperatura pode variar por diversos outros fatores, além da ovulação.

Método do Muco cervical ou Billings



O método do muco cervical consiste na observação das características do muco cervical, que mudam consoante o grau de fertilidade. O período fértil inicia-se no primeiro dia em que o muco se torna filante e transparente, prolongando-se pelo menos 3 dias após a filância máxima.

Ao longo do ciclo da mulher, existem alterações no aspeto e na consistência da secreção (ou muco) que o colo do útero produz.

Depois da menstruação, e durante alguns dias, não se verifica a existência do muco. Gradualmente, a mulher começa a ter uma sensação de humidade e surge o muco com aspeto grosso, pegajoso, esbranquiçado ou amarelado. Com a aproximação da ovulação, o muco torna-se mais líquido, transparente e elástico (“tipo clara de ovo”).

Por exemplo, pegando num pouco de muco, entre o dedo polegar e o indicador, e afastando depois os dedos, é fácil observar a diferença que existe na sua consistência. Depois da ovulação, o muco torna-se opaco, branco e espesso.

Mas atenção: não confundir o muco com qualquer outro corrimento que pode ser causado por uma infeção que precise de tratamento médico. Como, por exemplo, se tiver indícios de sangue, mau cheiro ou apresentar uma cor diferente.

Saúde sexual e prazer

A saúde sexual relaciona-se com o bem-estar e o respeito pelo nosso corpo, saúde, sentimentos e desejos, bem como pelo das outras pessoas. A sexualidade tem muitas funções além da reprodução, nomeadamente o prazer, a partilha, a comunicação, podendo implicar uma enorme diversidade de práticas. A masturbação é uma outra forma legítima e saudável de viver a sexualidade.Independentemente de se estar numa relação amorosa ou de se estar apaixonado ou não, todas as pessoas devem assumir responsabilidade pela sua sexualidade.Existem inúmeras infeções que se transmitem por via sexual. É importante conhecê-las para melhor as poder evitar, identificar e saber o que fazer caso se contraia alguma.

Saúde sexual

A saúde sexual relaciona-se com a promoção do bem-estar e com a prevenção de problemas ao nível da sexualidade. É importante viver a sexualidade de uma forma gratificante e positiva a vários níveis, por exemplo, ao nível do corpo, das relações com os outros e na forma como vivemos o prazer.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde sexual como sendo a integração dos aspetos somáticos, emocionais, inteletuais e sociais da sexualidade, de formas positivamente enriquecedoras que contribuam para realçar a personalidade, a comunicação e o amor.

Aspetos importantes para uma boa saúde sexual:

  • Conhecer, cuidar bem e sentir-se bem com o próprio corpo;
  • Manter uma boa higiene, ou seja, limpar e cuidar do estado dos órgãos genitais, observando-os com regularidade;
  • Ir ao/à médico/a com regularidade, para despistar eventuais problemas;
  • Evitar as Infeções sexualmente transmissíveis, assim como outras infeções que possam afetar a saúde e bem-estar da pessoa;
  • Evitar a gravidez nas alturas em que não se deseja ter filhos;
  • Manter relações de partilha mútua, afeto e respeito com as pessoas com quem se partilha a intimidade e que se tenha a capacidade de manter uma boa comunicação com os/as parceiros/as sexuais, sejam ocasionais ou permanentes.

As funções da sexualidade

A sexualidade cumpre diferentes funções para diferentes pessoas e também para as mesmas pessoas em diferentes contextos das suas vidas. Se algumas pessoas, por vezes, têm relações sexuais para ter filhos, outras têm por outros motivos, tais como o prazer sexual.

Segue-se uma lista de motivos pelos quais as pessoas podem ter relações sexuais:

  • Prazer;
  • Demonstração de amor;
  • Partilha;
  • Descontração;
  • Experimentação;
  • Afeto;
  • Desafiar regras;
  • Paixão;
  • Obtenção de dinheiro;
  • Diversão;
  • Manipulação do outro;
  • Alívio de dor;
  • Desejo;
  • Humilhação do outro;
  • Satisfação;
  • Desejo/interesse sexual;
  • Curiosidade.

Existem ainda mais motivos que podem levar alguém a ter relações sexuais e, da lista apresentada, pode-se perceber que nem sempre estes motivos são positivos ou construtivos.

Sexualidade e prazer

Desde pequenos que procuramos fazer coisas que nos provocam satisfação. Isso continua a ser verdade à medida que se cresce. Assim, não é de estranhar que um dos motivos principais pelos quais as pessoas têm relações sexuais é porque essa é uma prática que dá prazer.

Outra forma de obter prazer é através da masturbação (auto, hetero e mútua). Durante muito tempo pensou-se que a masturbação fazia mal à saúde. Hoje em dia sabemos que isso não é verdade. A masturbação é o nome que se dá à estimulação (tocar ou acariciar) dos órgãos genitais, por vontade própria, para obter prazer. Esta prática sexual faz parte do desenvolvimento sexual e permite que cada pessoa descubra o seu próprio corpo e o que lhe dá prazer. Mas, não são apenas os órgãos genitais que podem proporcionar prazer, existem outras zonas do teu corpo sensíveis e agradáveis ao toque - as chamadas zonas erógenas.

As pessoas podem masturbar-se em qualquer fase da vida, desde a infância até à velhice. Mesmo quando se encontram numa relação afetiva e sexual, as pessoas podem masturbar-se individualmente ou acompanhadas.

Sexualidade e relacionamentos

Não é preciso amar para sentir prazer ou satisfação sexual. É possível ter relações sexuais satisfatórias e gratificantes, simplesmente a partir do desejo ou da atração. No entanto, para muitas pessoas, as relações sexuais são mais prazerosas quando se dão num contexto de intimidade, afeto e confiança.

A saúde sexual implica também uma boa comunicação com os/as parceiros/as sexuais, sejam estes ocasionais ou permanentes. Assim, é importante que ambos falem sobre as suas preocupações, ansiedades e necessidades. É igualmente a forma de assegurar que todas as medidas que visam proteger a saúde sejam tomadas, mesmo no auge da paixão, altura em que mais facilmente elas podem ser esquecidas.

Amor e paixão

A paixão marca o início das relações amorosas. Quando se está apaixonado/a o mundo parece girar em torno da pessoa amada e faz-se tudo para estar com ele/a. Por esse motivo, as pessoas apaixonadas parecem, muitas vezes, estar alheadas da realidade à sua volta e têm dificuldades em concentrar-se.

Se esta é uma fase especial para as pessoas apaixonadas, ela pode (porém) acarretar os seus riscos. Por idealizarem o objeto da sua paixão, os/as apaixonados/as:

  • Podem prestar menos atenção ao trabalho ou aos estudos e prejudicar o seu rendimento;
  • Podem esquecer-se de se prevenir em relação a infeções sexualmente transmissíveis ou a uma gravidez não planeada;
  • Podem (por vezes) também não se aperceber de que a outra pessoa não corresponde nos seus sentimentos e sofrer um desgosto amoroso se a relação terminar.

Os preservativos não previnem desgostos amorosos, mas evitam o contágio de infeções sexualmente transmissíveis que podem ter consequências negativas, bem para lá do fim da relação. Por isso, mesmo apaixonado/a, proteja-se!

Sexualidade e responsabilidade

A sexualidade é um aspeto importante da vida de todas as pessoas, mesmo quando não se mantém uma vida sexual ativa. Tem influência sobre os pensamentos, os sentimentos e afeta o bem-estar (físico e psicológico). Nesse sentido, a sexualidade implica uma responsabilidade importante. Essa responsabilidade é, em primeiro lugar, de cada pessoa para consigo própria e logo de seguida para com as pessoas com as quais nos envolvemos de forma amorosa e sexual.

As nossas relações afetivas e sexuais podem ser vividas com satisfação e de uma forma saudável quando…

  • Nos relacionamos uns com os outros, porque temos prazer nisso;
  • Nos sentimos preparados para uma relação, seja de que tipo for;
  • Nos conhecemos e valorizamos a nós próprios;
  • Sabemos proteger-nos contra os riscos e situações abusivas;
  • Sabemos escolher como, quando e com quem queremos estar;
  • Conseguimos falar sobre o que sentimos com as pessoas com quem nos relacionamos;
  • Entendemos que a nossa vontade é tão importante quanto a do/a outro/a quando decidimos ter ou não ter relações sexuais;
  • Comunicamos com respeito e compartilhando as responsabilidades.

Nunca é demais sublinhar que o preservativo masculino e o preservativo feminino são os únicos métodos contracetivos de barreira que protegem do contágio de muitas IST, inclusive do VIH.

Ter relações sexuais sem preservativo não é uma prova de amor; usá-lo, isso sim, é a maior prova de amor e respeito que se pode dar, em primeiro lugar a si próprio e depois ao outro!

O que são IST

As Infeções Sexualmente Transmissíveis são infeções contagiosas cuja forma mais frequente de transmissão é pelas relações sexuais (sexo vaginal, sexo oral e sexo anal), embora algumas também se possam transmitir pelo contacto da pele ou órgãos genitais. A infeção é causada pela presença e multiplicação de agentes patogénicos (vírus, bactérias, fungos e/ou parasitas) que se encontram nos fluídos corporais (sangue, esperma, líquido pré-ejaculatório e secreções vaginais) ou nas mucosas da vagina, do pénis e do ânus. Também, é possível a transmissão da mãe para o seu bebé durante a gravidez, o parto e/ou o aleitamentono. As mais conhecidas são: a sida, a hepatite B, a gonorreia, os herpes genital, a sífilis, as infeções por clamídia, por vírus do papiloma humano (HPV) - condilomas, por tricomonas, por fungos (cândidas).

Nem todas as IST se adquirem exclusivamente através de relações sexuais (sexo vaginal, sexo oral e sexo anal) e/ou contacto com sangue contaminado. Algumas delas, como são exemplo o Vírus do Papiloma (Vírus) Humano (HPV) e o Herpes Genital, podem ser transmitidas através do contacto da pele e mucosas da vagina, pénis ou ânus.

É importante teres algumas informações sobre as diversas infeções sexualmente transmissíveis, assim como as suas vias de transmissão, os sintomas e a prevenção.

Como prevenir o contágio e a transmissão das IST?

O único método contracetivo que evita o contágio das IST´s é o preservativo (masculino e feminino), desde que utilizado de forma regular e correcta. Quer seja a prática de sexo vaginal, sexo anal ou sexo anal dever utilizar-se sempre o preservativo. No caso do sexo oral feito à mulher (cunnilingus) e à semelhança do anulingus (estimulação da zona anal com a boca), é aconselhável a utilização de alguma barreira entre a boca e a vagina, o que pode ser feito, por exemplo, cortando um preservativo ao comprido de forma a obter um retângulo de látex que se coloca sobre a vagina/ânus ou poderá também utilizar-se a película de cozinha.

É óbvio que quando não se tem relações e intimidades sexuais (abstinência sexual) não há risco de contrair uma IST. No entanto, é importante não esquecer que há infeções que se transmitem pelo contacto entre os órgãos genitais mesmo quando não ocorre a penetração.

Se pensa que pode ter contraído uma IST deve consultar um/a médico/a para que a situação seja avaliada clinicamente. Também deve falar com sinceridade com o/a seu/sua parceiro/a sobre as suas dúvidas e sugerir-lhe consultar um/a médico/a, pois pode existir necessidade de ambos realizarem o teste de despista às IST´S e/ou realizarem algum tratamento.

Quais os sintomas mais frequentes das IST?

Certas infeções provocam sintomas apenas no homem, outras somente na mulher e, por vezes, há infeções que não apresentam qualquer tipo de sintoma. Mas existem alguns sinais que deve ter em atenção:

  • Corrimento vaginal anormal, frequentemente com mau cheiro ou corrimento uretral;
  • Presença de vermelhidão, bolhas, verrugas ou vesículas nos órgãos genitais ou à sua volta ou à sua volta;
  • Dor ou sensação de queimadura ao urinar;
  • Dores difusas no baixo-ventre;
  • Sensação de dor ou queimadura aquando das relações sexuais;
  • Febre.

O que fazer se suspeita que tem uma IST?

Se suspeita ter contraído uma IST deve consultar um/a médico/a para que a situação seja avaliada clinicamente, assim como deve realizar um teste de despista às IST´S. Não deve automedicar-se nem utilizar medicações indicadas por outras pessoas que não sejam profissionais de saúde. Não deve esperar que a situação se resolva por si própria, porque isso não vai acontecer. Poderá informar-se ligando para um linha telefónica de apoio e aconselhamento.

Saber mais.

O/A médico/a especialista (dermatologista, urologista, venerologista ou ginecologista) irá diagnosticar, tratar e acompanhar o desenvolvimento da infeção da forma mais apropriada.

Poderá encontrar apoio:

  • Num Centro de Deteção Precoce do VIH (CAD)
  • Numa consulta no Centro de Saúde
  • Num hospital ou clínica privada

E se se confirmar que tem uma IST?

Avise o/a seu/sua companheiro/a ou as pessoas com quem tem tido relações sexuais (recentemente) de que tem uma IST e sugira-lhes que façam um teste de despiste às IST´S. Informá-las da sua infeção e da possibilidade de eles/as poderem estar infectados/as, mesmo que ainda não tenham sintomas, é dar-lhes a possibilidade e o direito de serem tratados/as. Assim, evita que possam vir a infectar outras pessoas ou a reinfectá-lo/a a si próprio/a no futuro.

Quanto mais tempo se adia o tratamento, maiores problemas podem surgir, daí ser importante começar logo a medicação e ter cuidados ao nível da prevenção.

Os tratamentos para as IST podem apresentar alguns efeitos secundários, por isso esclareça todas as suas dúvidas com o/a seu/sua médico/a.

Não convém interromper o tratamento prescrito apenas porque os sintomas desapareceram ou diminuiram, porque a infeção poderá ainda estar presente e assim não ficar devidamente curada/o ou tratada/o.

Quais são as IST mais comuns?

As mais conhecidas são: a sida, a hepatite B, a gonorreia, os herpes genital, a sífilis, as infecções por clamídia, por papiloma vírus humano (HPV) – condilomas, por tricomonas, por fungos (cândidas). Para muitas destas infeções existe tratamento e cura, desde que a intervenção médica seja feita logo que identificado algum sinal e sintoma. Para outras é possível tratar e controlar a infeção, mas não curá-la.

Hepatite B

A Hepatite B é uma doença causada por um vírus que se transmite através de contacto com o sangue e fluidos do corpo de uma pessoa infectada e também existe a possibilidade de transmissão de mãe para filho, no momento do nascimento. Esta infeção apresenta alguns sintomas como:

  • Febre;
  • Mal-estar;
  • Desconforto;
  • Dores abdominais;
  • Dor nas articulações e erupções na pele.

Em fases mais avançadas:

  • Icterícia (pele amarelada);
  • Urina escura;
  • Fezes muito claras.

A hepatite crónica pode não apresentar quaisquer sintomas específicos, mas por vezes, provoca alguma debilidade associada a cansaço.

A Hepatite B não tem cura, mas existem medicamentos que atuam sobre os sintomas e os melhoram. Porém, as pessoas infectadas nem sempre apresentam sintomas.

Gonorreia

A gonorreia (vulgarmente chamada de “esquentamento”) é uma infeção provocada por uma bactéria (Neisseria gonorrhoea) que infecta o revestimento mucoso da uretra, do colo uterino, do recto e da garganta ou da membrana branca (conjuntiva) dos olhos.

Os sintomas aparecem cerca de 2 a 21 dias após o contágio. No caso dos hoemns, estes começam com queixas ligeiras na uretra, seguidas, poucas horas depois, de uma dor fraca ou intensa ao urinar e uma secreção de pus proveniente do pénis. Nas mulheres, os sintomas costumam ser ligeiros, mas em algumas mulheres surgem graves, como necessidade frequente de urinar, dor ao urinar, secreção vaginal e febre. O colo uterino, o útero, as trompas de Falópio, os ovários, a uretra e o reto podem ser infetados e provocar uma grande dor pélvica ou queixas durante o coito. O pus, que aparentemente provém da vagina, pode provir da cérvix, da uretra ou das glândulas próximas do orifício vaginal.

A gonorreia trata-se com antibiótico.

Herpes genital

O herpes genital é uma doença de transmissão sexual da zona genital (a pele que rodeia o reto ou as áreas adjacentes), causada pelo vírus do herpes simples.

Existem dois tipos de vírus do herpes simples, chamados VHS-1 e VHS-2. O VHS-2 costuma transmitir-se por via sexual, enquanto o VHS-1 em geral infecta a boca. Ambos os tipos podem infetar os órgãos genitais e a pele que rodeia o reto ou as mãos (especialmente os leitos das unhas) e podem ser transmitidos a outras partes do corpo (como a superfície dos olhos).

Tanto homens como mulheres podem estar infectados e ter um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Picadas, comichão ou formigueiro na zona genital ou anal;
  • Dores nas coxas, pernas ou virilhas, sintomas de gripe;
  • Pequenas bolhas, cheias de um líquido claro, que, quando rebentam, deixam umas úlceras vermelhas dolorosas – estas bolhas podem estar escondidas na vagina, colo do útero ou recto;
  • Dor ao urinar.

Não tem cura, mas existem medicamentos que atuam sobre os sintomas e os melhoram.

Sífilis

A sífilis é uma infeção causada por uma bactéria (Treponema pallidum). Na sua fase inicial, aparecem feridas ou úlcera indolor nos órgãos genitais (pénis, vulva ou vagina), mas também noutras zonas do corpo (ânus, lábios, garganta, dedos, entre outras). Estas lesões não provocam dores, mas se não forem tratadas a infeção/doença evolui para outras fases em que aparece febre, inflamação na garganta, perda de cabelo e gânglios inflamados em várias zonas do corpo. Em situações mais graves pode afetar o sistema nervoso central e levar à morte. É tratada com antibiótico.

Clamídia

É uma infeção causada por uma bactéria (Chlamydia trachomatis) e é também chamada de “infeção silenciosa”, porque em muitos caso não provoca sintomas (assintomáticos). Os que se manifestam, são corrimento genital anormal e ardor ao urinar.

  • Nass mulheres podem surgir sintomas inespecíficos como corrimento, ardor e micções mais frequentes. Pode ainda ocorrer uretrite ou cervicite. Em algumas doentes, pode ocorrer doença inflamatória pélvica, que se pode complicar sob a forma de infertilidade, gravidez ectópica ou oclusão das trompas;
  • Nos homens os sintomas podem ser dor ou sensação de queimadura inespecífica no períneo ou testículos ou corrimento uretral. Pode ainda ocorrer ardor ao urinar. Podem surgir outras manifestações como epididimite, prostatite ou proctite.

A infeção pode ser tratada por antibióticos. Quando esse tratamento é instituído precocemente, as complicações são muito raras.

Vírus do Papiloma Humano

O Vírus do Papiloma Humano (HPV) é uma das infeções sexualmente transmissíveis mais comuns. Existem mais de 120 diferentes tipos de HPV, dos quais 40 afetam preferencialmente os órgãos genitais (vulva, vagina, colo do útero, pénis e ânus). O HPV é o vírus que causa as verrugas/condilomas genitais. Este infeta tanto homens, como mulheres e é responsável por um elevado número de infeções que, na maioria dos casos são assintomáticas (não dá sintomas) e de regressão espontânea.

Dividem-se em alto e baixo risco, em função das doenças que causam.

Nos HPV de alto risco incluem-se os tipos 16 e 18, que são responsáveis por 70 a 75% das lesões mais graves (cancerosas).

Nos HPV de baixo risco estão incluídos os tipos 6 e 11, que são responsáveis pela maioria das doenças benignas causadas pelo HPV, das quais as mais frequentes são os condilomas ou verrugas genitais.

Sabe-se que os homens são os maiores transmissores do HPV. O diagnóstico no homem é feito através da observação dos genitais, observação dermatológica e Peniscopia. Na mulher, o HPV é detetado pela observação ginecológica e por outros exames específicos (citologia).

Neste momento existe vacina para alguns dos subtipos de vírus HPV associados ao cancro no colo do útero (incluindo vacinas indicadsa para mulheres e homens).

Tricomonas

É uma infeção sexualmente transmissível do sistema genital-urinário do homem e da mulher provocada por um microrganismo (protozoário). Na mulher pode originar uma vaginite.

O tratamento das Tricomonas é feito com antibióticos.

Vírus da imunodeficiência humana ou VIH

O vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) é um vírus (designado por VIH1 e VIH2) que ataca e destrói o sistema imunitário do nosso organismo, isto é, destrói os mecanismos de defesa que nos protegem das doenças. O VIH actua nas células do sistema imunitário (responsável pela defesa do corpo). Depois de entrar nas células, o VIH começa a agir e integra-se no código genético das células infetadas (ADN). Ambos são vírus da Imunodeficiência Humana com a capacidade de provocar a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) e com formas de contágio similares.

As diferenças mais importantes entre os vírus são:

  • O VIH-1 é mais “agressivo”, sendo mais rápido na destruição do sistema de defesas do organismo humano (sistema imunológico). A evolução da doença é mais rápida nos doentes com VIH-1, comparativamente aos doentes com VIH-2.
  • O VIH-1 transmite-se mais facilmente, isto é, o contágio é mais provável do que para o VIH-2. Alguns dos medicamentos disponíveis são eficazes contra o VIH-1 mas não contra o VIH-2.

Um indivíduo infetado pelo VIH, progressivamente, revela-se débil, frágil, podendo contrair ou desenvolver infeções muito variadas.

Este vírus pode permanecer “adormecido” no organismo, sem manifestar sinais e sintomas durante algum tempo. Neste período, os indivíduos infetados com o VIH, são chamados de seropositivos.

Existem tratamentos para o VIH e para o SIDA, mas não existe cura para a infeção. A pessoa estará sempre infetada e poderá infetar outras pessoas se existirem comportamentos de risco. No entanto, a pessoa seropositiva, ou seja, a pessoa infetada, desde que devidamente tratada e acompanhada, pode viver muitos anos sem qualquer tipo de problema de saúde.

Quem é que pode ser infetado pelo VIH?

Qualquer pessoa. O vírus não discrimina sexos, orientações sexuais, idades, níveis socioeconómicos ou raças. Todas as pessoas que têm comportamentos de risco: em práticas sexuais desprotegidas e na partilha de objetos que possam conter sangue (agulhas e seringas, lâminas, entre outros) podem ser infetadas.

Sexualidade e projeto de vida

É importante que cada indivíduo conheça e defenda os seus direitos sexuais e reprodutivos. A sexualidade é um aspeto essencial das nossas vidas. Cada pessoa compreende e vive a sexualidade de forma única, de acordo com as suas experiências e aprendizagens. Por esse motivo, pensar e refletir sobre os nossos valores, atitudes, conceitos e preconceitos ajuda-nos a fazer escolhas livres e informadas sobre os comportamentos sexuais.

O que é a sexualidade?

É muito difícil definir o que é a sexualidade já que o ser humano é um ser sexuado, e a sexualidade medeia todo o nosso ser. É uma área que está intimamente relacionada com aspetos biológicos do funcionamento humano no que respeita ao sistema reprodutor, embora também se relacione com as emoções, os desejos e as sensações que temos em relação a nós próprios e em relação aos outros. Ao mesmo tempo, a sexualidade é regulada pelas leis, pela moral e pela religião (fatores sociais e culturais) que determinam o que é ou não apropriado para as pessoas, em função da sua idade, género, etc.

Certo é que todas as pessoas são sexuais de uma forma ou de outra, mesmo quando não têm uma atividade sexual com outra/s pessoa/s. São sexuais nos seus desejos, pensamentos, prazer, comportamentos e atitudes.

Definição de sexualidade da Organização Mundial de Saúde

Uma definição de sexualidade que se utiliza muitas vezes é a da Organização Mundial de Saúde (OMS):

Sexualidade é uma energia que:

  • Nos motiva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade;
  • Se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados;
  • É ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual;
  • Influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações;
  • Influencia também a nossa saúde física e mental”.

Saúde Sexual e Reprodutiva

Por vezes, também, se fala de saúde sexual e reprodutiva. Esta área relaciona-se com os cuidados que homens e mulheres deverão ter para cuidar do seu bem-estar físico e psicológico em tudo o que tem a ver com a sua sexualidade. Relaciona-se ainda com a possibilidade que cada um deverá ter de decidir livremente se quer, ou não, ter filhos.

A sexualidade não tem idade

A sexualidade está presente desde o nascimento, mas a forma como os indivíduos a vivem vai mudando ao longo da vida. Isso relaciona-se com a evolução do corpo, da mente mas também com as experiências que são possíveis em cada idade, com a educação que tivemos, com a sociedade onde vivemos, com os valores morais e religiosos que nos influenciam, assim como com as experiências de vida. A sexualidade “nasce” com o bebé e vai evoluindo na sua forma e expressão ao longo de toda a vida. Embora o ser humano seja um ser sexuado, a sexualidade é diferente consoante a idade. As crianças, os adolescentes, os adultos e as pessoas idosas têm interesses sexuais, manifestando a sua sexualidade através de determinados comportamentos. Contudo, a sexualidade muda com a idade, verificando-se características próprias que estão associadas a cada fase da vida.

Também em cada etapa da vida, as pessoas vivem a sua sexualidade de formas diferentes, estando esta sujeita à influência de diversos fatores socioculturais e às particularidades individuais do desenvolvimento biofisiológico e psico-afetivo de cada pessoa.

Características da sexualidade em cada fase da vida

Eis algumas das características da sexualidade em cada fase da vida:

Infância

Na infância, a sexualidade é encarada como uma descoberta, nomeadamente do próprio corpo, considerando-se como o primeiro ato sexual da criança mamar no peito da mãe. Nesta fase, a sexualidade é vivida e desenvolve-se nas relações com as sensações corporais e em interação com as figuras de apego. Até aos dois/três anos, as crianças adquirem consciência da sua identidade sexual, ou seja, reconhecem-se e identificam-se como rapaz ou rapariga. Simultaneamente, iniciam um processo de aprendizagem e interiorização das funções que a sociedade considera próprias do rapaz ou da rapariga, e que estão associadas ao papel de género.

Também se verifica o controlo dos esfíncteres e a criança começa a questionar-se sobre a origem dos bebés. Os modelos de identificação ou imitação também surgem nesta fase, assim como os problemas relativos ao ciúme (em que a criança não compreende nem aceita uma possível partilha das figuras de apego - a aparecimento do Complexo de Caim e Complexo de Édipo).

Adolescência

A puberdade é uma época de transição entre a infância e a idade adulta, um período marcado por profundas alterações biológicas, fisiológicas e psicológicas, durante o qual o corpo adquire os caracteres sexuais (masculinos e femininos) associados ao sexo biológico, dando-se igualmente a maturação do aparelho reprodutor e a aquisição da capacidade reprodutiva.

A descoberta da sexualidade atinge o seu auge. O desejo sexual torna-se algo mais específico e vários estímulos adquirem valor sexual. Com uma maior atividade hormonal, os jovens passam por várias alterações ao nível do corpo, designadamente aumento dos órgãos sexuais, ejaculação noturna no caso dos rapazes e a primeira menstruação no caso das raparigas. Habitualmente é neste período que ocorrem os primeiros contatos sexuais e as primeiras experiências.

Muitos adolescentes ficam preocupados sobre como os outros os vêm, se são atraentes ou não. Surgem também as primeiras paixões e namoros. É no contexto destes namoros que alguns adolescentes vão começar a explorar a sexualidade e o prazer partilhados com outra pessoa. É acima de tudo uma fase de exploração e descoberta.

Vida adulta

Em comparação com a adolescência, na idade adulta a sexualidade é em princípio vivida mais tranquilamente. Porém, a sexualidade continua a ser é muito distinta de pessoa para pessoa, como consequência dos graus de diversidade que implicam as suas formas de vida.

Na idade adulta, a maioria das pessoas encaram a sexualidade com normalidade. Isto advém de uma maior maturidade resultante de uma vida familiar tendencialmente mais estável ou por possuírem um/a companheiro/a fixo/a.

Nem sempre os adultos têm uma vida sexual ativa, porque por vezes não têm parceiros disponíveis ou falta-lhes a vontade para iniciar a atividade sexual.

O facto de se ser homem ou mulher, de ser-se hetero, homo ou bissexual, de se ter algum tipo de incapacidade ou deficiência, entre muitas outras características, vai influenciar a forma como cada adulto irá viver a sua sexualidade.

Velhice

O envelhecimento é um processo indutivo de várias mudanças no indivíduo, nomeadamente ao nível físico, mental e social. Estas mudanças tendem a afetar a expressão da sexualidade, na medida em que se torna necessário para a pessoa redefinir objetivos, isto é, reconhecer que está numa nova fase do ciclo vital e que, tal como as anteriores, está associada a determinados “acontecimentos padrão”, assim como de crises de desenvolvimento próprias da fase em questão.

As pessoas continuam a poder viver a sua sexualidade de forma gratificante mesmo quando entram na velhice. A sexualidade não tem prazo de validade, nem faz mal às pessoas idosas. Assim, até qualquer idade as pessoas podem manter atividade sexual, com outras pessoas ou de forma individual através da masturbação. Podem também manter ou descobrir outras formas de viver a sua intimidade, por exemplo, valorizando as carícias e a partilha emocional.

Diversidade sexual

Diversidade na orientação sexual

A orientação sexual refere-se ao que cada pessoa pensa e sente sobre si própria, sobre a sua afetividade e sexualidade e por quem se sente atraído afetiva e sexualmente.

Existem diversas formas de se ser sexual, também ao nível da atração e do desejo. Homens e mulheres podem sentir-se atraídos sexualmente e querer estabelecer relações amorosas e sexuais com homens, mulheres, ou com ambos. A isto dá-se o nome de orientação sexual ou orientação do desejo. Não se trata de uma escolha, mas apenas da variação normal da sexualidade humana. Independentemente da orientação sexual de cada um/a, existe na maioria das pessoas o mesmo desejo de intimidade, a mesma capacidade de dar e receber afeto e a mesma capacidade de amar.

Ver Carta dos direitos sexuais e reprodutivos.

  • A pessoas que se sentem principalmente atraídas por pessoas do mesmo sexo dá-se o nome de homossexuais;
  • A que se sentem principalmente atraídas por pessoas do outro sexo dá-se o nome de heterossexuais;
  • A pessoas que se sentem atraídas por pessoas de ambos os sexos dá-se o nome de bissexuais.

São vários os fatores que podem contribuir para as pessoas desenvolvem uma certa orientação sexual. Sabe-se, porém, que a sexualidade é diversa e variável e que a orientação é apenas uma característica, entre outras, que a pessoa possui e que não a define.

Ter uma orientação sexual minoritária não é nenhuma doença, ainda que tenha sido assim considerado durante muito tempo. Hoje em dia, e de acordo com a Constituição da República Portuguesa, ninguém pode ser discriminado devido à sua orientação sexual. O Estado Português, à semelhança de alguns outros países, reconheceu em 2010 que duas pessoas do mesmo sexo têm o mesmo direito de se casar que duas pessoas de sexo diferente.

No entanto, e apesar disso, pessoas homossexuais e bissexuais continuam a ser discriminadas e, por vezes, a ser vítimas de violência física/psicológica devido à sua orientação sexual. Qualquer ato deste tipo é contrário aos direitos humanos das vítimas e, em alguns casos, pode inclusivamente ser crime e punível por lei.

Diversidade na identidade de género

A identidade de género refere-se ao sentimento de ser do género feminino (mulher) ou do género masculino (homem) independentemente da anatomia (órgão genital). Uma pessoa transgénero é alguém que não corresponde às convenções sociais e categorias tradicionais de género associadas ao seu sexo biológico. Uma pessoa transexual é alguém que sente que a sua identidade de género é diferente do seu sexo biológico. Algumas pessoas transexuais desejam mudar o seu corpo através de tratamentos e/ou cirurgias, mas nem todas.

Muitas destas pessoas vestem e têm comportamentos de acordo com o que é socialmente adequado para indivíduos de sexo biológico oposto, porque isso é o que vai ao encontro da sua forma de sentir. Também há transexuais que fazem alterações corporais, nomeadamente a mudança de sexo, de modo a que o seu corpo adquira uma forma de acordo à sua vivência interna. Nem todos/as os/as transexuais sentem a necessidade ou têm a possibilidade (financeira, por exemplo) de recorrer à modificação do seu corpo e/ou dos seus órgãos genitais. Também eles/elas são muitas vezes vítimas de violência por parte de pessoas que não compreendem, nem aceitam, a realidade dos indivíduos transexuais.

Puberdade

A puberdade é uma época de transição entre a infância e a idade adulta, um período marcado por profundas alterações biológicas, fisiológicas e psicológicas, durante o qual o corpo adquire os caracteres sexuais (masculinos e femininos) associados ao sexo biológico, dando-se igualmente a maturação do aparelho reprodutor e a aquisição da capacidade reprodutiva.

Nas raparigas inicia-se, em geral, entre os 8 e os 13 anos, variando este período de pessoa para pessoa. Em geral, a puberdade tem início com a primeira menstruação (menarca), que coincide com o surgimento de uma série de transformações do corpo, que já se vinham manifestando na fase conhecida como pré-puberdade.

Nos rapazes, as transformações começam entre os 9 aos 14 anos e são muito mais demoradas do que nas raparigas.

Carateres sexuais primários e secundários

Na grande maioria dos casos, quando as crianças nascem é possível determinar se são meninos ou meninas porque os seus órgãos sexuais já estão formados. Ao conjunto desses órgãos dá-se o nome de carateres sexuais primários. Alguns deles são internos (por exemplo, o útero ou os ovários nas raparigas e a próstata nos rapazes) e outros externos (por exemplo, o clítoris nas raparigas e o pénis e os testículos nos rapazes).

Como consequência do efeito das hormonas, durante a puberdade o corpo altera-se e vão aparecer outros sinais físicos que caraterizam os rapazes e as raparigas. A esses dá-se o nome de carateres sexuais secundários.

Nas raparigas:

  • Alargamento dos ossos da bacia (ancas);
  • Início do ciclo menstrual (menarca);
  • Surgimento de pêlos no púbis e nas axilas;
  • Depósito de gordura nas nádegas, nos quadris e nas coxas;
  • Desenvolvimento das mamas;
  • Surge a primeira menstruação (menarca), que pode aparecer inesperadamente ou chegar precedida de vários dias de dores abdominais e de cabeça.

Nos rapazes:

  • Surgimento de pêlos nos púbis, nas axilas e no peito;
  • Aumento dos testículos e do pénis;
  • Crescimento da barba;
  • Voz grossa;
  • Ombros mais largos;
  • Aumento da massa muscular;
  • Início da produção de espermatozoides;
  • Aumento do peso e da estatura;
  • Primeiras ejaculações, que geralmente ocorrem durante o sono (os chamados “sonhos molhados”).

Em ambos:

  • Crescimento acelerado e desproporcionado do corpo;
  • Entrada em funcionamento dos órgãos sexuais:
  • Aumento da sensibilidade genital;
  • Possibilidade de alcançar o orgasmo adulto;
  • A cara muda de forma e a pele fica mais oleosa;
  • Suor e acne.

Adolescência

A adolescência é um período da vida no qual se produz um conjunto de alterações biofisiológicas, psicológicas, intelectuais e sociais que situam o indivíduo perante uma nova forma de se encarar a si próprio e tudo o que o rodeia (López & Fuertes, 1989).

É o período em que ocorre a transição entre a infância e a idade adulta, e que se carateriza por uma série de alterações biológicas, sociais, familiares e psicológicas. Inicia-se com a puberdade e termina quando se atinge autonomia emocional e financeira da família de origem. Por esse motivo, esta fase é marcada por um progressivo afastamento da família e uma aproximação do grupo dos pares (amigos, colegas, etc.).

Cada adolescente e cada família irá integrar e gerir de forma diferente este processo. Porém, é comum que surjam conflitos entre pais e filhos. Estes conflitos, desde que não excessivos, podem ser momentos importantes de crescimento para os adolescentes e para os pais. O dialogo e a capacidade de ser flexível por ambas as partes são aspetos importantes para conseguir ultrapassar da melhor forma este período.

A adolescência é também um importante momento de autodescoberta e, com isso, de desenvolvimento da capacidade de gostar de si próprio/a.

Autoestima

A autoestima é a avaliação que cada pessoa faz sobre si própria como sendo positiva ou negativa. Assim, se alguém tem uma boa opinião de si (própria) diz-se que tem uma boa ou elevada autoestima; se é muito crítica/o em relação a si própria/o e gostaria de ser diferente do que é, diz-se que tem uma baixa autoestima.

Todas as pessoas são única e especiais (à sua maneira). Porém, nem sempre são capazes de apreciar as suas características e talentos singulares. Por vezes, isso é uma consequência de não terem pessoas à volta que as apreciem e reconheçam. Independentemente do que os/as outros/as possam pensar ou dizer, é importante refletir sobre quem somos para, a partir daí, podermos apreciar o que temos de único e sobre as nossas competências e saberes.

As competências individuais podem ser de diferentes tipos:

  • Competências pessoais, ligadas às características e capacidades individuais;
  • Competências sociais, utilizadas na relação com os outros;
  • Competências profissionais, relacionadas com o desempenho das profissões.

Conhecer bem as nossas competências é um ponto de partida para poder estabelecer um projeto de vida adequado às nossas capacidades.

Sexualidade e projeto de vida

Um projeto de vida serve para planear o amanhã, o que vai acontecer dentro em pouco, mas também para pensar sobre o futuro. Por exemplo, que profissão se gostaria de ter e o que é preciso para lá chegar; se se deseja ter filhos, quantos é que se gostaria de ter e quantos é que se podem ter em função das capacidades económicas, apoio familiar, que se têm ou não.

Um projeto de vida, muitas vezes, constrói-se com base num sonho. Os sonhos ajudam-nos a estabelecer objetivos. Porém, às vezes é necessário adaptar o sonho à realidade.

Alguns objetivos importantes de um projeto de vida são:

  • Fazer escolhas sexuais conscientes, livres e informadas;
  • Tomar consciência da nossa saúde sexual e reprodutiva e fazermos decisões informadas sobre a mesma;
  • Saber dizer “Não!” quando o que nos propõem vai contra o que pretendemos e quando sabemos que nos pode prejudicar;
  • Aprender a escutar o que dizem os nossos sentimentos e desejos.

É importante estar esclarecido acerca da sexualidade e do planeamento familiar, conhecer os métodos contracetivos, identificar os comportamentos de risco e saber como se respeitar a si próprio/a e aos/às outros/as para evitar dificuldades e problemas. É, igualmente, importante saber como ter uma vida sexual com prazer e em harmonia com as pessoas com quem partilhamos a nossa intimidade.

Projeto de vida e escolhas

Quando cedemos a pressões fazemos o que os outros desejam, sem ter em conta o que sentimos, queremos e desejamos. Ficamos com a sensação de que nos estão a desrespeitar, a ignorar e que não nos compreendem. Na sexualidade, ninguém se deve sentir na obrigação de fazer o que quer que seja, só porque a outra pessoa quer. Devemos ser donos da nossa vontade e respeitar os nossos desejos e sentimentos, assim como saber ouvir e respeitar os dos outros.

Ver Cântico Negro.